Corrida por terras raras e acordo com os EUA ameaçam santuário ecológico no Brasil

Goiás discute mudanças no Plano de Manejo da APA de Pouso Alto para permitir a exploração de terras raras na Chapada dos Veadeiros; entenda os impactos

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Chapada dos Veadeiros é um santuário ecológico que concentra uma das maiores redes de nascentes do Brasil e abastece bacias hidrográficas estratégicas (Foto: Banco de Imagens)

O estado de Goiás retomou as discussões sobre mudanças nas regras ambientais da Chapada dos Veadeiros, um santuário ecológico localizado no Centro-Oeste brasileiro. A revisão do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), pode afrouxar as restrições para a exploração de minerais críticos. A atividade envolve processos complexos que podem provocar impactos, o que gera preocupação ambiental.

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Governo de Goiás acelera debate ambiental sobre mineração na Chapada

O movimento ganhou força após articulações do governador Ronaldo Caiado com representantes dos Estados Unidos (EUA) para ampliar o acesso a terras raras e minerais estratégicos usados pela indústria tecnológica e energética global.

Nos dias oito e nove de maio, a Semad realizou oficinas técnicas para discutir as alterações do plano ambiental, responsável por regulamentar uma das regiões mais sensíveis do Cerrado brasileiro.

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Acordo com os EUA impulsiona nova ofensiva sobre terras raras

O memorando firmado em março de 2026 estabelece uma cooperação voltada à exploração mineral em território goiano pelos próximos 15 anos. O objetivo é ampliar a participação do Brasil na cadeia global em fornecimento de insumos para a fabricação de baterias, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia.

O avanço ganhou tração após a aquisição da mineradora Serra Verde pela USA Rare Earth, operação bilionária que reforçou o interesse internacional nas terras raras do interior de Goiás.

Revisão ambiental gera preocupação sobre a preservação das águas do Cerrado

A atividade envolve processos químicos de alta complexidade, com potencial de alterar o equilíbrio ambiental dos recursos hídricos da região. Especialistas demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre as nascentes do Cerrado e rios que possuem reconhecimento internacional pela biodiversidade.

A Semad afirma que não existe autorização de lavra concedida na região da APA de Pouso Alto no momento. A pasta sustenta que a revisão do plano busca avaliar limites técnicos, jurídicos e ambientais antes de qualquer decisão definitiva sobre a atividade mineral.

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Chapada dos Veadeiros é conhecida internacionalmente pela biodiversidade, nascentes e paisagens do Cerrado

Com cânions, cachoeiras, formações rochosas milenares e áreas preservadas, a Chapada dos Veadeiros se consolidou como uma das regiões mais conhecidas do Cerrado brasileiro.

Além do apelo turístico, o território concentra uma das maiores redes de nascentes do país. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),  a Chapada abriga mais de 200 nascentes e participa do abastecimento das bacias dos rios São Francisco, Paraná e Paraguai.

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Pela relevância hídrica, pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) classificam o bioma como a “caixa d’água do Brasil”, que é capaz de alimentar grandes rios e aquíferos estratégicos do país.

Na APA de Pouso Alto, especialistas alertam para os impactos capazes de alterar o equilíbrio hídrico da região. Estudo da Universidade de Brasília (UnB) aponta que intervenções intensivas podem afetar o fluxo de água local e ampliar a pressão sobre áreas consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade no Centro-Oeste.

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Consultas públicas e próximos passos

Após as oficinas realizadas em Colinas do Sul, o governo goiano deve abrir uma nova rodada de consultas públicas sobre as mudanças no Plano de Manejo da APA de Pouso Alto. A próxima etapa prevê debates com moradores, entidades ambientais e representantes locais. A possível liberação de atividades minerais na região ainda depende da conclusão dos estudos técnicos e da análise das contribuições apresentadas pelas comunidades afetadas.

FOTOS: a Chapada dos Veadeiros em 15 imagens de tirar o fôlego

*Com edição de Luiz Daudt Junior.