McDonald’s e Nestlé: por que gigantes estão preferindo ovos de galinhas criadas soltas

Companhias que já adotaram modelo de produção de ovos estão mais preparadas para atender às exigências do mercado e minimizar riscos futuros, diz especialista

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Mudança em uma só empresa impactou diretamente cerca de 1,6 milhão de galinhas presentes em sua cadeia de suprimentos (Foto: Banco de imagens)

O México lidera o consumo mundial de ovos, com média anual próxima de 24 quilos por habitante, de acordo com estimativas da União Nacional Avícola. Ao mesmo tempo, a produção sem gaiolas vem ganhando espaço como um diferencial relevante tanto para o mercado interno quanto para investidores.

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A adoção de práticas de responsabilidade social na produção de ovos integra os critérios ESG de grandes companhias, como Bimbo, Nestlé, PepsiCo, McCormick, McDonald’s, Unilever, Alsea e Marriott. Essas empresas já incorporam iniciativas voltadas à obtenção da proteína por meio de sistemas sem gaiolas.

Os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) correspondem a parâmetros utilizados para avaliar sustentabilidade e impacto ético das empresas. Além do desempenho financeiro, eles consideram fatores como gestão de riscos ambientais, relações humanas e conduta ética.

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Diferenças entre os tipos de ovos

Mais de 1 milhão de galinhas afetadas por uma empresa

Em entrevista ao jornal El Cronista, Arianna Torres, gerente sênior de políticas corporativas e programas para animais de fazenda da Humane World for Animals México, afirmou que a procura por produtos provenientes de sistemas sem gaiolas apresenta “crescimento sustentado”. Segundo ela, o movimento é impulsionado por consumidores mais informados, compromissos públicos assumidos por grandes empresas e pela incorporação do bem-estar animal às políticas de sustentabilidade e gestão de riscos.

— No México e na região, cada vez mais empresas reconhecem que isso deixou de ser uma questão marginal e se tornou uma expectativa crescente do mercado e dos investidores — afirmou.

A Bimbo, maior empresa de panificação do mundo, é um dos exemplos citados. Conforme a estratégia de sustentabilidade da empresa, atualmente 42% dos ovos consumidos pela companhia em todo o mundo são provenientes de granjas livres de gaiolas.

Segundo a empresa, a mudança impactou diretamente cerca de 1,6 milhão de galinhas presentes em sua cadeia de suprimentos.

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Para Arianna Torres, as companhias que já adotaram esse modelo estão mais preparadas para atender às exigências do mercado e minimizar riscos futuros.

— As empresas que adotam práticas de alto nível de bem-estar animal, como a produção sem gaiolas, fortalecem sua reputação, respondem melhor à demanda do consumidor e se preparam para possíveis mudanças regulatórias — afirmou.

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Ela acrescentou que essas iniciativas também contribuem para cadeias de suprimentos mais resilientes e transparentes, aspecto cada vez mais valorizado por investidores e parceiros comerciais.

Produção de ovos de “galinhas soltas” deve crescer

Dados da 360iResearch, empresa de pesquisa de mercado e consultoria de negócios, indicam que a produção de ovos de galinhas criadas soltas deve registrar crescimento anual entre 3,5% e 5% no período de 2024 a 2030.

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Hoje, conforme o Sindicato Nacional da Avicultura, o México possui mais de 200 milhões de galinhas, sendo que 90% ainda produzem ovos pelo sistema tradicional. Mesmo assim, estimativas da Certified Humane apontam que, até 2040, cerca de 40% da produção nacional de ovos deverá vir de galinhas criadas soltas.

— A tendência é claramente de expansão e maior formalização. Veremos mais compromissos com prazos definidos, maior ênfase na publicação do progresso e uma integração mais forte do bem-estar animal nas estratégias ESG e de sustentabilidade corporativa — disse Arianna Torres.

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Além de proporcionar melhores condições de vida aos animais e reforçar a responsabilidade social corporativa, a produção sem gaiolas também oferece vantagens como maior controle da cadeia de suprimentos, melhor gestão sanitária e mais transparência nos processos produtivos.

— O bem-estar animal não é apenas uma questão ética, mas parte de uma visão mais ampla de produção responsável e sustentável — concluiu a especialista.