Com referências a “Interestelar”, novo livro usa viagem no tempo para abordar dilemas familiares

Em "Quando todas as estrelas se apagarem", Pat Müller utiliza elementos de ficção científica e cultura pop para dialogar com dilemas jovens

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Obra aborda ansiedades, crises de identidade e buscas espirituais dos adolescentes atuais (Foto: Divulgação)

A escritora catarinense Pat Müller une a física pop da viagem no tempo às complexas discussões sobre saúde mental e espiritualidade na juventude em seu mais novo livro Quando todas as estrelas se apagarem. Lançado pela Editora Mundo Cristão, a obra utiliza um cubo mágico capaz de abrir portais temporais para abordar temas espinhosos como ansiedade, crise de identidade e reconciliação familiar.

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A trama acompanha Rafael, um jovem que vive um relacionamento conturbado com o pai biológico. Carregando feridas emocionais que o impedem de aceitar o afeto e de enxergar amor nas figuras ao seu redor, o protagonista decide terminar o relacionamento com a namorada, Amanda, por se considerar indigno desse sentimento.

— O Rafael é um jovem que tem muitas marcas, cicatrizes, que ele carrega no coração por conta do relacionamento que ele teve com o pai. Tudo que o pai biológico falou para ele dificultava ele enxergar em Deus uma figura paterna de amor e de bondade, justamente porque o pai biológico dele se opunha muito a essa figura de Deus. Então, ao longo da história, a gente vai acompanhar o que o que o Rafael passou, os desafios que ele precisou superar — pontua a autora.

Depois do término, uma tempestade de raios e o misterioso cubo mágico transportam Rafael vinte anos no futuro, onde ele é confrontado com os impactos de suas próprias escolhas.

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— O cubo mágico abre as portas, mas ele sozinho não faz tudo, são vários fatores e a própria viagem no tempo que dá abertura para falar da identidade e da redenção de Rafael — explica Pat. O livro é a sequência de As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras (2024).

O fenômeno da ficção cristã pop

O livro faz parte de um movimento literário que vem crescendo organicamente no Brasil: a ficção cristã voltada para o público jovem. Longe dos tradicionais manuais de regras ou textos puramente pastorais, os autores do nicho têm apostado na jornada do herói e em analogias modernas para estabelecer pontes de comunicação.

— As histórias têm esse poder de nos fazer entender coisas que talvez uma conversa direta não ajudaria. Jesus já usava parábolas para se conectar e comunicar mensagens para o povo daquela época. A ficção cristã fala na linguagem do jovem para despertar o entendimento no coração deles — contextualiza a autora.

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Para se aproximar do universo dos leitores atuais, Pat Müller recheia suas páginas de referências à cultura pop. Enquanto o primeiro livro da série trazia alusões a comédias românticas adolescentes, a nova obra apresenta um protagonista que é fã confesso do cineasta Christopher Nolan e do filme Interestelar.

— Se eu assisto a um filme ou leio um livro, penso em como aquilo pode ser uma referência. Esse universo de viagem no tempo com estrelas é algo presente na minha rotina todos os dias — revela.

Identidade e validação na era digital

Para garantir que a obra mantenha o ritmo dinâmico de entretenimento e não se transforme em um “livro de sermão” , o processo de escrita de Pat passou por técnicas de dosagem de diálogos e narrativas. O trabalho contou com o suporte de leitoras beta — profissionais que incluem psicólogas e especialistas em Letras ligadas ao nicho infantojuvenil.

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— Todo escritor precisa usar as técnicas a seu favor e ter noção de proporção. É preciso se afastar da história, ler em voz alta e aceitar as revisões. É uma questão de você saber dosar, usar a medida certa — explica Pat.