A Granja Comary, atual centro de treinamento da Seleção Brasileira, carrega uma história curiosa por trás do nome, que não se deu à toa. O local carrega o peso de ter sido uma fazenda da família Guinle, uma uma das dinastias empresariais e financeiras mais poderosas do Brasil. As informações são do Globo Rural.
Veja fotos da Granja Comary, CT da Seleção Brasileira
Localizada em um terreno de mais de 600 hectares, a Granja Comary tinha o objetivo inicial de criação de galinhas importadas da França. Além disso, também tinha área de criação de raposas e rãs, e de grande variedade de outros animais.
O espaço funcionava quase como um pequeno zoológico e tinha visitação liberada aos finais de semana.
Em 1966, a família Guinle decidiu encerrar as atividades rurais e transformar a imensa propriedade em um negócio imobiliário de alto padrão. A área foi desmembrada para a criação de um condomínio de luxo (o atual bairro Carlos Guinle), ganhando o famoso lago artificial e o Clube Comary.
Neste mesmo ano, a CBD (antiga CBF) tentou comprar um pedaço do terreno para construir seu centro de treinamento. A família recusou a oferta de imediato, argumentando que não queria “gente do futebol” circulando e desvalorizando o loteamento de elite que estava sendo construído.
Após anos de insistência e forte articulação política nos bastidores, o Almirante Heleno Nunes, então presidente da CBD, venceu a resistência. Em 1978, a entidade finalmente comprou uma área de 53,9 mil metros quadrados de 24 herdeiros dos Guinle pela quantia de 20 milhões de cruzeiros (o equivalente a cerca de R$ 29 milhões hoje).
O que o humorista Didi tem a ver com a Granja Comary?
No início da década de 1980, o humorista Renato Aragão, o Didi, comprou uma grande parte da Granja Comary (que ainda pertencia à família Guinle) e construiu uma mansão extremamente luxuosa às margens do lago artificial.
Dedé, Mussum e Zacarias viram a ostentação do líder do grupo como algo ruim. A mansão na Granja Comary foi o estopim para que os outros três integrantes percebessem que a divisão dos lucros do grupo era desproporcional, o que causou um racha no elenco em 1983.
Juntando a vontade de se livrar do imóvel que gerou a crise e o interesse da CBF de ampliar seu espaço, Renato Aragão vendeu sua propriedade para a CBF entre 1983 e 1984. A área da antiga mansão do Didi foi então incorporada aos mais de 100 mil metros quadrados que formam o atual CT da Seleção Brasileira, inaugurado oficialmente em 1987.
*Sob supervisão de Marcos Jordão











