Quem era Pedro Ortaça, ícone da cultura gaúcha e defensor das causas indígenas que faleceu no RS

Nativista estava internado em Ijuí e passou por procedimentos cirúrgicos recentes

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Artista usou a música para defender a história missioneira e os povos originários (Foto: Instagram, Reprodução)

O Rio Grande do Sul se despede do cantor, compositor e ativista Pedro Ortaça, que faleceu na madrugada desta sexta-feira (29), aos 83 anos, em Ijuí. O músico era o último representante vivo do Tronco Missioneiro, grupo de artistas que redefiniu a identidade da canção nativista gaúcha. Com informações de g1.

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Natural de São Luiz Gonzaga, Ortaça estava sob cuidados médicos no Hospital de Clínicas de Ijuí. De acordo com relatos da família, o artista passou por um procedimento cirúrgico na quinta-feira (28), foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e não resistiu após sofrer três paradas cardiorrespiratórias.

Nas redes sociais, a filha do músico, Marianita Ortaça, prestou uma homenagem ao pai, destacando sua trajetória de luta. “Ele sempre será o exemplo mais lindo de resiliência, coragem, força. Gratidão meu pai.”

Luta pela saúde e os últimos anos

O músico vinha enfrentando um histórico complexo de problemas de saúde desde maio do ano passado, quando foi diagnosticado com pneumonia e edema pulmonar. Ortaça também convivia com diabetes e complicações vasculares.

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O quadro clínico do instrumentista piorou nos últimos meses, resultando em duas intervenções cirúrgicas, com amputação da perna direita em fevereiro deste ano e, mais recentemente, a amputação da outra perna, realizada nesta semana antes de sua transferência para a UTI.

O legado do “Tronco Missioneiro” e o ativismo indígena

“Tronco Missioneiro” foi quarteto cultural do qual Ortaça fazia parte ao lado de Noel Guarany (1941-1998), Cenair Maicá (1947-1989) e Jayme Caetano Braun (1924-1999). Juntos, esses criadores ergueram um movimento musical que valorizava a história das Missões Jesuíticas, caracterizado por letras de forte teor de crítica social e valorização das raízes locais.

Além de marcar época com obras como Timbre de Galo e Bailanta do Tibúrcio, Ortaça estendeu sua voz para além dos palcos e utilizava sua projeção para defender os direitos das comunidades indígenas, revertendo, inclusive, parcelas dos cachês de suas apresentações em prol de melhorias e assistência a aldeias da região. Sua última gravação lançada foi a faixa Pena Guarany, gravada em colaboração com seu filho, Gabriel Ortaça.

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Até o momento, os horários das cerimônias fúnebres em Ijuí e as homenagens previstas em sua terra natal, São Luiz Gonzaga, não foram detalhados pelos familiares.