Minha Casa, Minha Vida Rural é alvo de cobrança em Brasília por falta de transparência

Falta de clareza na distribuição de recursos para famílias do campo vira debate na Câmara dos Deputados; Ministério das Cidades avalia mudanças

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Construções localizadas em perímetros rurais dependem do repasse e da liberação de subsídios federais para a instalação de cisternas e reservatórios de água (Foto: Ilustração, IA)

O programa Minha Casa, Minha Vida Rural (MCMV Rural) virou alvo de cobranças na Câmara dos Deputados por falta de transparência na liberação de moradias. Entidades habitacionais e movimentos sociais foram aos palácios em Brasília exigir critérios mais claros do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal na hora de aprovar os projetos e distribuir a verba. A discussão acendeu o alerta sobre os gargalos que atrasam o sonho da casa própria para famílias do campo.

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O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Urbano, que reuniu lideranças comunitárias, movimentos sociais e representantes do governo.

Quem tem prioridade na fila da moradia rural

Criado para ampliar o acesso à moradia no campo, o MCMV Rural atende agricultores familiares, trabalhadores rurais e comunidades tradicionais, como povos indígenas e quilombolas, oferecendo subsídios para construção ou reforma de imóveis em áreas rurais.

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O acesso ao programa varia conforme a renda bruta familiar anual. As famílias são divididas em três faixas: a Faixa Rural 1 contempla renda de até R$ 31.680 por ano; a Faixa Rural 2, até R$ 52.800; e a Faixa Rural 3, até R$ 96 mil anuais.

Segundo as regras do Ministério das Cidades, os recursos do Orçamento Geral da União destinados à modalidade subsidiada priorizam famílias com renda anual de até R$ 40 mil. Nesses casos, os beneficiários pagam apenas 1% do valor da obra, enquanto famílias inscritas no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) ficam isentas dessa contrapartida.

Valores mudam conforme a região do país

O limite do subsídio varia de acordo com a localização do imóvel. Na Região Norte, o limite para construção de novas moradias chega a R$ 107 mil, podendo alcançar R$ 112,5 mil quando o projeto inclui instalação de cisterna.

Nas demais regiões, o valor máximo é de R$ 97,5 mil, ou R$ 102,5 mil com reservatório de água. Para obras de reforma e melhorias habitacionais, os limites são de R$ 55 mil na Região Norte e R$ 50 mil no restante do país, conforme define o Ministério das Cidades.

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Como funciona o envio de propostas para a Caixa

As propostas são apresentadas por chamadas Entidades Organizadoras (EOs), como associações comunitárias, cooperativas, sindicatos e administrações municipais ou estaduais.

De acordo a Caixa Econômica Federal apresentados durante o debate, entre 2023 e 2026 foram registradas 7.430 solicitações de habilitação para atuação no programa. Desse total, 5.950 entidades foram aprovadas, enquanto 1.480 tiveram o pedido negado por não atenderem aos requisitos técnicos ou documentais.

No mesmo período, o Ministério das Cidades recebeu mais de 1.200 propostas, contemplando cerca de 900 municípios em diferentes etapas de contratação.

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Pontos mais criticados por movimentos sociais em Brasília

Representantes de movimentos de moradia afirmaram, durante a audiência, que faltam explicações sobre os critérios utilizados para desclassificar projetos e redistribuir metas entre estados e regiões.

Segundo Edileuza Diniz, secretária nacional da Federação das Entidades de Habitação do Norte e Nordeste (Fenor), as organizações não recebem informações suficientes sobre a ordem de prioridade adotada pelo governo nem sobre os motivos que levam determinadas propostas a serem excluídas.

As críticas também partiram de representantes de comunidades quilombolas. A liderança Dinha Pinheiro, do município de Alcântara (MA), afirmou que pequenas associações enfrentam dificuldades para acessar os recursos e criticou a baixa quantidade de moradias contratadas em territórios tradicionais.

“Nós não podemos aceitar instituições que entrem em nossos quilombos para fazer 10 construções, onde nossas associações estão chorando e gritando para pagar suas dívidas”, apontou a líder das comunidades quilombolas de Alcântara (MA)

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Governo afirma que avalia mudanças

Em resposta aos questionamentos, o Ministério das Cidades informou que mantém diálogo com entidades do setor e estuda aperfeiçoamentos na metodologia de pontuação das organizações e no sistema de remanejamento de metas entre os estados.

Segundo a pasta, a revisão dos critérios poderá ser discutida nos próximos ciclos de contratação do Minha Casa, Minha Vida Rural, com o objetivo de ampliar a eficiência do programa e garantir maior transparência na seleção dos projetos.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.