Nome limpo não garante crédito: estudo revela que Open Finance aumenta em até 18% aprovação de cartões

Pagar contas em dia não garante crédito no Brasil. Descubra como o Open Finance aumenta em até 18% a aprovação de cartões e financiamentos

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Compartilhamento de dados transacionais via plataforma digital regulada ajuda a reduzir a incerteza de análises estatísticas e facilita a aprovação de limites (Foto: Banco de Imagens)

Ter o nome limpo e pagar as contas em dia deixou de ser garantia para conseguir a aprovação de cartões de crédito, empréstimos ou financiamentos no Brasil. Para solucionar essa barreira invisível, o Banco Central regulamentou o Open Finance, uma plataforma digital que permite ao consumidor compartilhar seu histórico de movimentações financeiras diretamente entre os bancos pelo aplicativo.

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Um estudo acadêmico de 2026, registrado no repositório do Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) com base em dados de 2,7 milhões de clientes, comprovou a eficácia da medida, a adesão ao sistema eleva em até 18 pontos percentuais a chance de liberação de um cartão para quem antes tinha o pedido negado. A mudança ocorre porque o mercado financeiro avalia o risco com base na previsibilidade de comportamento, tratando a falta de histórico ativo de dívidas como um fator de incerteza.

FOTOS: Ter o nome limpo não garante aprovação de cartão ou empréstimo

O impacto real na liberação de cartões

Ao analisar a base de dados de 2,7 milhões de usuários, os pesquisadores constataram que o compartilhamento de dados aumenta, em média, 14,7 pontos percentuais a probabilidade de aprovação de um novo cartão de crédito.

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O impacto da tecnologia se concentra na parcela da população que historicamente enfrenta as maiores barreiras de acesso ao mercado. Para os clientes que não possuíam nenhum cartão de crédito ativo, a chance de conseguir a aprovação do primeiro limite subiu 18 pontos percentuais após a autorização do envio de dados. Já para os consumidores que já eram bancarizados e possuíam algum cartão, a probabilidade de conseguir um novo produto foi de 5,2 pontos percentuais.

O histórico em branco

As instituições financeiras utilizam modelos estatísticos automatizados para prever se o cliente será um bom pagador. Quando um consumidor adota o hábito de comprar apenas à vista, evita parcelamentos e não utiliza cartões, ele deixa de gerar registros nos órgãos de proteção ao crédito.

Esta ausência de dados é classificada pelos algoritmos dos bancos como uma “folha em branco”. Como o sistema não encontra parâmetros anteriores para calcular o risco de inadimplência, a resposta padrão costuma ser a recusa do crédito ou a aplicação de taxas de juros mais elevadas, mesmo que o CPF do cidadão não apresente nenhuma pendência financeira ou protesto ativo.

Fatores que bloqueiam o crédito

A análise de risco vai além do monitoramento de contas atrasadas e avalia o comportamento financeiro diário do consumidor. O acesso a limites e financiamentos é dificultado por critérios técnicos específicos nos sistemas de análise, como o comprometimento de mais de 30% da renda mensal com parcelas ativas, o que sinaliza risco de superendividamento.

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Além disso, o registro de consultas sucessivas ao CPF por diferentes bancos em um curto período indica necessidade urgente de capital, reduzindo o score de crédito. O uso frequente do cheque especial e o pagamento do valor mínimo da fatura do cartão também são interpretados pelos algoritmos como sinais de descontrole no orçamento doméstico.

Compartilhamento de dados bancários

O Open Finance funciona como uma ferramenta para que o consumidor utilize o histórico de suas movimentações cotidianas para construir sua reputação. Por meio do sistema, informações sobre salários, depósitos em poupança, investimentos e o pagamento de contas de consumo podem ser enviadas de forma direta de uma instituição para outra.

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O procedimento não ocorre de forma automática. O compartilhamento depende de autorização expressa do titular da conta, que define pelo aplicativo bancário quais dados serão transmitidos, para qual instituição financeira e por qual período, respeitado o limite máximo de 12 meses. Todo o processo segue as regras do Banco Central e as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Como construir histórico financeiro

Para os cidadãos que encontram dificuldades de acesso a crédito devido à ausência de dados cadastrados, o mercado financeiro recomenda a adoção de medidas práticas:

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  • Ativar o Cadastro Positivo: o sistema centraliza o histórico de contas cotidianas de serviços públicos (como água, luz, telefone e internet), registrando de forma automática a pontualidade dos pagamentos e melhorando a pontuação do CPF.
  • Utilizar o cartão de crédito de maneira estratégica: concentrar pequenas despesas do dia a dia em cartões com limite baixo e efetuar o pagamento do valor integral da fatura antes da data de vencimento cria um histórico inicial consistente e positivo para os algoritmos.
  • Centralizar e compartilhar as movimentações: manter os recebimentos de renda e os pagamentos principais em uma única conta corrente e, em seguida, autorizar o envio desses dados via Open Finance para as instituições onde há interesse em obter novos produtos financeiros.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.