Maçã do pomar à mesa, em todas as suas formas

Cooperativa de São Joaquim transforma maçãs fora do padrão estético em produtos nobres, impulsionando a economia local

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Produtos Cooperserra (Foto: Divulgação/Cooperserra)

Por trás de cada maçã que chega às prateleiras dos supermercados existe uma engrenagem muitas vezes invisível, movida pelo trabalho de agricultores familiares e pela força do cooperativismo. Na Serra Catarinense, é a Cooperativa Regional Agropecuária Serrana (Cooperserra) que desempenha o papel de conectar quem cultiva a terra e quem consome o fruto desse esforço, da maçã in natura até os diversos produtos derivados.

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Fundada em 1977, a Cooperserra é, essencialmente, uma cooperativa familiar. Localizada em São Joaquim, conta atualmente com 115 cooperados, dos quais mais de 60% são pequenos produtores, com menos de quatro hectares de área produtiva. Além disso, a cooperativa emprega ainda 150 colaboradores diretos e gera mais de 500 empregos indiretos, contribuindo para a movimentação da economia regional e estadual. Além da cidade-sede, opera também em Urupema e Bom Jardim da Serra.

O trabalho em pequena escala faz com que o trabalho seja praticamente artesanal: — É um trabalho feito em família, o pai e os filhos, os vizinhos ajudando. E isso, atrelado ao clima favorável da região para o cultivo da maçã, gera uma produção diferenciada, com um produto espetacular, tanto in natura quanto nos subprodutos —, explica Ricardo Arruda, gerente de packing da cooperativa.

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De modo a amparar esses pequenos produtores locais, a Cooperserra estruturou sua atuação, começando pelas lojas agropecuárias, que fornecem insumos essenciais e assistência técnica especializada diretamente nas propriedades dos produtores. Além disso, a cooperativa possui um sistema próprio de distribuição física, a Packing House, onde são realizados o beneficiamento, classificação de rigores internacionais, armazenamento e escoamento das frutas frescas para o Brasil e também para o exterior.

Desperdício zero

Foi em 2020 que a Cooperserra deu um grande salto e começou a se estruturar para ser uma cooperativa “desperdício zero”. Em meio a uma reestruturação estratégica, buscou uma solução para um dos principais gargalos da fruticultura: o descarte de produtos que não se encaixam nos padrões estéticos exigidos pelo mercado de mesa, embora preservem todas as suas propriedades nutricionais.

— Nós estávamos buscando formas de criar produtos que pudessem agregar valor à maçã de descarte e aproveitar essa fruta que seria descartada. Ela tem qualidade nutricional, mas não tem cor, é uma fruta “feia”, digamos assim. Nosso objetivo era agregar valor e remunerar melhor o produtor — relata Ricardo. Foi assim que surgiu a Agroindústria da cooperativa, inaugurada em 2023, com linhas de sucos integrais e chips de maçã desidratada.

No entanto, Ricardo conta que a busca pela sustentabilidade e pelo valor agregado continuou: mesmo com os novos produtos, ainda havia o bagaço da maçã como resíduo. — E como a gente poderia fazer com esse bagaço? Foi aí que chegamos na farinha de maçã e estamos elaborando ainda outros produtos derivados para aproveitar toda a matéria-prima dentro da cadeia — explica.

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Turismo de experiência

A reestruturação iniciada em 2020 também faz parte de um plano de fortalecimento de marca, preparando a cooperativa para seus 50 anos, que serão celebrados em 2027. Para valorizar esse movimento e conectar a comunidade e os visitantes ao trabalho dos produtores, a Cooperserra inaugurou o Empório Cooperserra. Instalado em São Joaquim, cidade que já atrai turistas de todo o Brasil pelo clima e pelas paisagens serranas, o Empório funciona como um showroom institucional e um ativo ponto turístico:

— O Empório é a essência da cooperativa. O produtor sobrevive da maçã, tudo o que ele adquiriu veio dela. Essa foi uma forma que encontramos de coroar realmente a importância do fruto para o município de São Joaquim, para a Cooperserra, para o cooperado e para a comunidade. Ali você encontra tudo. O espaço começou fazer parte da cultura da nossa comunidade, e o pessoal de fora também vem buscar esse produto — conclui Ricardo.

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