A Prefeitura de Jacareí, no interior de São Paulo, decidiu iniciar os trâmites para a desapropriação da fábrica da Caoa Chery, desativada desde 2022. A medida foi tomada após a montadora chinesa não apresentar, dentro do prazo de um ano concedido pelo município, um plano concreto para retomar as atividades, condição prevista no acordo firmado quando o terreno foi doado pela prefeitura.
A decisão foi comunicada em ofício enviado pelo prefeito Celso Florêncio (PL) ao presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, e ao gerente-geral da Chery International Brasil, Cláudio Guowei Xu, conforme apurado pelo Autoesporte.
Segundo a prefeitura, serão iniciados os procedimentos administrativos necessários para a edição e publicação do decreto de desapropriação do imóvel. A publicação do decreto marcará o início do processo administrativo de desapropriação, que ainda deverá cumprir as etapas previstas em lei antes de uma eventual transferência do imóvel ao município.
Unidade está desativada desde 2022
A fábrica da Caoa Chery em Jacareí interrompeu a produção em 2022. Na época, a montadora informou que a paralisação seria temporária para adaptar a unidade à produção de veículos elétricos e híbridos.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a fábrica tinha cerca de 600 funcionários no momento da paralisação. Desse total, 485 foram demitidos, enquanto os demais seriam realocados pela empresa.
A montadora informou que pretendia retomar as atividades em 2023, após a adaptação da unidade, mas a reabertura nunca ocorreu.
Antes da paralisação, a fábrica produzia modelos como Tiggo 2, Tiggo 3X, Arrizo 5 e Arrizo 6. Com a interrupção das atividades em Jacareí, a Caoa Chery passou a concentrar sua produção em Anápolis (GO), onde já mantinha sua principal fábrica no país.
Em 2025, a empresa informou ter alcançado a marca de 500 mil veículos produzidos no Brasil desde a inauguração da planta goiana, em 2007.

Negociações duraram mais de um ano
As conversas entre a prefeitura e a montadora começaram em junho de 2025, quando o município solicitou esclarecimentos sobre os planos para a unidade.
Em 21 de julho de 2025, a administração notificou oficialmente a empresa sobre a possibilidade de reversão da doação da área ou desapropriação e concedeu 45 dias para a apresentação de um plano de retomada das atividades.
A pedido da própria Caoa Chery, o prazo foi ampliado para 12 meses, para que a empresa pudesse estruturar uma proposta considerada consistente. Porém, segundo a prefeitura, mesmo após um ano, a montadora não apresentou informações que permitissem acompanhar a elaboração ou a execução de um plano de reabertura da fábrica.
Em abril de 2026, um novo ofício voltou a cobrar uma manifestação objetiva da empresa, mas, de acordo com o município, não houve resposta que resolvesse o impasse. Diante desse cenário, a administração decidiu dar sequência ao processo de desapropriação.
Veja alguns modelos Caoa Chery
Doação do terreno previa manutenção da fábrica e geração de empregos
O terreno onde a fábrica foi construída foi doado pela prefeitura de Jacareí em 2010, por meio de um Memorando de Entendimentos. Em contrapartida, a empresa assumiu compromissos como implantar e manter a unidade industrial em funcionamento e gerar empregos no município.
A expectativa inicial era criar mais de 3 mil postos de trabalho. Desde a paralisação da produção, em 2022, a fábrica permanece sem atividades.
Para o prefeito Celso Florêncio, a interrupção das operações representa o descumprimento das condições estabelecidas na doação da área.
— A doação do terreno estava condicionada a ter uma fábrica em funcionamento, com geração de empregos. Na nossa visão, houve uma quebra de contrato — afirmou o prefeito em entrevista à TV Vanguarda.
Prefeitura pretende leiloar o complexo
Caso a desapropriação seja concluída, a prefeitura pretende levantar os investimentos públicos realizados no complexo e a valorização do imóvel antes de definir os próximos passos.
A intenção do município é leiloar a área para atrair uma nova operação industrial, permitindo que o espaço volte a cumprir sua função socioeconômica com a geração de empregos e renda.
Primeira fábrica da Chery no Brasil
A unidade de Jacareí foi inaugurada em 2014 como a primeira fábrica da Chery no Brasil. Em 2017, a Caoa firmou uma joint venture com a Chery, criando a Caoa Chery. A parceria uniu o grupo brasileiro, que já atuava no setor automotivo desde 1979, com a montadora chinesa.
Nos anos seguintes, a fábrica produziu diferentes modelos da marca, entre eles Tiggo 2, Tiggo 3X, Arrizo 5 e Arrizo 6. Em 2022, a produção foi interrompida com a promessa de adaptação da planta para fabricar veículos eletrificados, reativação que nunca se concretizou.
Procurada, a Caoa Chery informou à Autoesporte que não comentará o caso por enquanto. A reportagem também tentou contato com a Chery International.




