A ex-BBB e cantora Juliette Freire foi diagnosticada com endometriose recentemente. A condição inflamatória crônica atinge milhões de mulheres no Brasil e é uma das principais causas de infertilidade feminina. O diagnóstico da artista ocorreu de forma precoce, após a realização de exames preventivos de rotina.
“Quando passei mal por conta do fígado, um, dois meses atrás, fui fazer um check-up e, em um dos exames, deu endometriose. Pedi uma segunda opinião, falei com minha ginecologista e com uma médica especialista para fazer análise do laudo e realmente tem”, revelou a artista nas redes sociais.
Juliette destacou que a doença foi identificada em fase inicial e que apresentava manifestações sutis, o que costuma dificultar a percepção precoce. “Segundo as médicas, está no início, pouquinho e não é em um lugar que tenha alguma grande questão. Eu não tenho tantos sintomas, não sinto tanta dor. O que eu sinto é inchaço e um pouco de dor”, explicou.
Quais são os sintomas da endometriose?
A endometriose é caracterizada pelo crescimento do endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero, em outras regiões do corpo, como ovários, trompas, intestino e bexiga.
Em muitos casos, a doença evolui sem dores fortes nos estágios iniciais, o que leva ao atraso no diagnóstico. Contudo, os principais sintomas que exigem atenção e investigação médica incluem:
- Cólicas menstruais intensas: Dores frequentes e que muitas vezes não passam com analgésicos comuns;
- Inchaço e dores abdominais: Sensação recorrente de estufamento na região pélvica;
- Dor durante as relações sexuais: Desconforto ou dor profunda durante ou após o ato sexual;
- Alterações intestinais ou urinárias: Dor para urinar ou defecar, especialmente durante o período menstrual;
- Dificuldade para engravidar: A inflamação provocada pelas lesões pode dificultar a fertilização e a fixação do embrião no útero.
Diagnóstico precoce e formas de tratamento
Como os sintomas iniciais podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns ou passar quase despercebidos, como no caso relatado por Juliette, as consultas e exames ginecológicos regulares são essenciais para a detecção precoce.
A endometriose não tem uma causa única definida, estando associada a fatores genéticos e a respostas do sistema imunológico. Por se tratar de uma condição crônica, o tratamento busca controlar a inflamação, aliviar os sintomas e preservar a fertilidade da paciente.
As opções de acompanhamento dependem da gravidade do quadro e dos objetivos de cada mulher. O tratamento clínico é indicado para quadros leves a moderados, envolvendo o uso de medicamentos hormonais, analgésicos, anti-inflamatórios e adequações no estilo de vida.
Para casos mais avançados ou de dor persistente, pode ser indicada a cirurgia minimamente invasiva para a remoção dos focos da doença. Para mulheres que necessitam de intervenção cirúrgica nos ovários e desejam gestar no futuro, o congelamento preventivo de óvulos pode ser recomendado como alternativa para a Fertilização In Vitro (FIV).
Contudo, especialistas reforçam que a gravidez não cura a endometriose, embora as alterações hormonais da gestação possam aliviar temporariamente os sintomas.
“Em muitos casos, a cirurgia pode sim contribuir para melhora da fertilidade. O mais importante então é que a indicação do tratamento seja individualizada caso a caso. Por exemplo, a intervenção cirúrgica pode não ser indicada para pacientes que já possuem baixa reserva ovariana, que pode ser avaliada através do ultrassom transvaginal e do exame de hormônio anti-mülleriano (AMH)”, explica Rodrigo Rosa, médico ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana.
A indicação de cada tratamento deve ser feita individualmente após avaliação médica detalhada.





