Jaiden Picot, de 23 anos, atravessou o palco de sua formatura com a ajuda de um exoesqueleto robótico, menos de dois anos depois de um acidente provocar uma lesão na medula e paralisá-lo do peito para baixo.
O jovem recebeu o diploma de mestrado em administração da Virginia Union University, nos Estados Unidos. Para completar o trajeto em pé, ele contou com o apoio de duas profissionais de reabilitação.
Evolução dos exoesqueletos
O caso ocorre enquanto novas tecnologias e pesquisas tentam devolver movimentos a pessoas com lesões medulares.
Acidente debilitante
Picot seguia para o trabalho em uma scooter elétrica em agosto de 2024 quando foi atingido por um caminhão. O impacto causou uma lesão na região da quarta vértebra cervical, chamada C4, além de danos nos nervos.
A lesão deixou o jovem paralisado do peito para baixo. Durante a internação, ele iniciou a reabilitação no Sheltering Arms Institute, hospital especializado em recuperação física localizado em Richmond, no estado da Virgínia.
O tratamento incluiu fisioterapia, terapia e, principalmente, treinamento para conduzir uma cadeira de rodas motorizada, exercícios de autocuidado e contato com tecnologias capazes de ampliar sua independência.

“Eu realmente acho importante dar às pessoas a sensação de que conseguem fazer algo por conta própria.”
afirmou Picot em comunicado divulgado pelo Sheltering Arms Institute em dezembro de 2024
Como funciona o exoesqueleto
O exoesqueleto é uma estrutura vestível instalada ao redor das pernas e da região pélvica. Motores posicionados nas articulações ajudam o usuário a levantar, manter o corpo ereto e realizar movimentos semelhantes aos passos.
Dependendo do modelo, o sistema pode reagir à mudança de peso, à contração de músculos ou a comandos enviados por um controle. No caso de Picot, o aparelho respondia principalmente à inclinação de seu corpo.

O equipamento também exige acompanhamento de profissionais treinados. Uma queda, um encaixe inadequado ou uma reação do organismo ao permanecer em pé podem causar lesões, tontura ou interrupção da sessão.
Treinamento exigiu adaptação diária
Picot relatou que os primeiros exercícios foram difíceis porque seu organismo apresentava problemas quando ele ficava em pé ou tentava se movimentar. Por isso, precisou aumentar gradualmente o tempo e a intensidade das sessões.
“Foi muito difícil no começo porque eu tinha problemas médicos ao ficar em pé e me movimentar. Então, precisei treinar muito, praticamente todos os dias, para ganhar força.”
contou à ABC News
Segundo Brittany McCormick, fisiologista do exercício que acompanhou a formatura, Picot mantinha uma postura positiva mesmo nos dias de maior dificuldade. Ele adotou como meta ficar “1% melhor todos os dias”.
Estudos mesmo na reabilitação
Mesmo entre internações e sessões de terapia, Picot manteve os estudos. Ele acessava as aulas do hospital e concluiu a graduação em 2025, dentro do prazo inicialmente previsto antes do acidente.
Logo depois, iniciou um mestrado executivo em administração. A cerimônia de 2026 marcou sua segunda passagem pelo palco da Virginia Union University, mas foi a primeira após um ciclo intenso de treinamento com o exoesqueleto.
O objetivo tinha um significado pessoal. Picot não participou de uma cerimônia tradicional ao terminar o ensino médio, devido às restrições adotadas durante a pandemia de Covid-19. Por isso, decidiu atravessar o palco em pé.
“Não foi da maneira como imaginei que caminharia pelo palco, mas significou muito para mim.”
disse o jovem à ABC News
Ciência ainda investiga os benefícios
Os exoesqueletos podem permitir que algumas pessoas com lesão medular fiquem em pé ou caminhem durante sessões terapêuticas. Entretanto, os resultados variam conforme a altura da lesão, a mobilidade preservada e o estado clínico.
Um estudo publicado na revista científica Spinal Cord acompanhou pessoas com lesões medulares incompletas que ainda possuíam alguma capacidade de dar passos sem o robô.
Os participantes fizeram 36 sessões durante 12 semanas. Mais da metade do grupo que usou o exoesqueleto avançou de uma categoria de locomoção doméstica para uma velocidade compatível com deslocamentos comunitários.

Por outro lado, o ganho médio de velocidade não foi estatisticamente significativo. O resultado indica que a tecnologia pode beneficiar pacientes selecionados, mas ainda não permite afirmar que seja superior à fisioterapia convencional em todos os casos.








