As pesquisas eleitorais voltam ao centro do debate nas Eleições 2026, mas conceitos como amostragem, margem de erro e nível de confiança ainda geram dúvidas entre os eleitores. Entender como esses levantamentos são feitos ajuda a interpretar os resultados divulgados pelos institutos de pesquisa.
O principal objetivo de uma pesquisa eleitoral é registrar a intenção de voto dos eleitores no momento em que as entrevistas são realizadas. Os levantamentos também ajudam a identificar a opinião da população sobre outros temas relacionados ao processo eleitoral, como avaliação de governo, rejeição de candidatos e decisão do voto.
Como os entrevistados são escolhidos?
Como não é possível ouvir todos os eleitores do Brasil, os institutos trabalham com uma amostra, formada por um grupo, geralmente de 1 mil a 2 mil pessoas, selecionado para representar a população.
Essa amostra é definida com base em critérios técnicos e precisa reproduzir características da população pesquisada, como sexo, idade, escolaridade e perfil econômico, utilizando informações de órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A seleção dos entrevistados ocorre em etapas. Na Quaest, por exemplo, primeiro são sorteados os municípios e os setores censitários. Depois, dentro dessas áreas, são selecionados os domicílios e os entrevistados de acordo com cotas de sexo, idade, renda familiar e escolaridade.
Já o Datafolha sorteia municípios, bairros e pontos de abordagem, onde os entrevistados são selecionados aleatoriamente conforme cotas de gênero e faixa etária, com ponderação posterior para outras características da população.
Como são feitas as entrevistas?
As entrevistas podem ser presenciais ou por telefone. O Datafolha, por exemplo, costuma entrevistar eleitores em pontos de fluxo nas ruas, enquanto a Quaest vai até as casas dos entrevistados. Já a RealTime BigData e o Ipespe costumam fazer pesquisas por telefone.
Durante a entrevista, são aplicados questionários estruturados. As perguntas podem ser feitas de duas formas:
- Pesquisa espontânea: o eleitor diz em quem vai votar sem que nenhuma opção seja apresentada.
- Pesquisa estimulada: o entrevistador mostra uma lista com os nomes dos candidatos, simulando o que o eleitor encontrará na urna eletrônica.
O que significa margem de erro?
A margem de erro existe em toda pesquisa feita por amostragem e representa a variação estatística esperada nos resultados.
Na prática, se um candidato aparece com 25% das intenções de voto em uma pesquisa cuja margem de erro é de dois pontos percentuais, isso significa que seu percentual pode variar entre 23% e 27%. Quanto maior a amostra, menor tende a ser a margem de erro.
O que é nível de confiança?
Outro indicador importante é o nível de confiança, normalmente fixado em 95%.
Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes utilizando a mesma metodologia, em cerca de 95 delas os resultados ficariam dentro da margem de erro informada.
O resultado da pesquisa pode ser diferente das urnas?
Como as pesquisas registram a intenção de voto no momento das entrevistas, os resultados podem ser diferentes do observado nas urnas caso parte dos eleitores mude de posição antes da votação.
Além disso, uma preocupação recente dos institutos é a abstenção eleitoral. Por esse motivo, alguns passaram a incluir perguntas para estimar a probabilidade de o entrevistado comparecer às urnas no dia da eleição. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o instituto passou a utilizar, desde 2022, um modelo estatístico para fazer esse ajuste.
Como saber se uma pesquisa é confiável?
Todas as pesquisas eleitorais precisam ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).O eleitor pode consultas as informações no site do tribunal.
No registro ficam disponíveis informações como a metodologia utilizada, o período de realização das entrevistas, o tamanho da amostra, o questionário aplicado, a margem de erro, o nível de confiança, o estatístico responsável, quem contratou e pagou a pesquisa e os municípios onde a coleta foi realizada.





