Quem viaja pelo interior de Santa Catarina dificilmente imagina encontrar uma paisagem que lembra um dos cartões-postais mais famosos da Islândia. Em Agrolândia, uma pequena igreja de madeira completamente preta chama a atenção de moradores e turistas pela aparência incomum e pelo cenário bucólico que a cerca.
A semelhança com a icônica igreja de Budakirkja, cercada por campos e montanhas no país europeu, transformou o templo catarinense em uma das construções religiosas mais curiosas de Santa Catarina.
Veja fotos da Igreja Preta de Agrolândia
A história da Igreja Preta
Conhecida como Igreja Preta, a Igreja Evangélica Ribeirão do Tigre foi construída em 1961 por descendentes de imigrantes alemães, em um terreno doado pela família Weidlich Siegel ainda no início da década de 1930.
A madeira utilizada veio de serrarias da própria comunidade, e um dos carpinteiros responsáveis pela obra, Heinrich Krieser, permaneceu vivo até 2015. O templo preserva características do estilo neogótico, com torre central, janelas em arco ogival e paredes duplas de madeira, solução que garante conforto térmico e acústico e reforça o legado da colonização alemã no interior catarinense.
O detalhe que tornou a igreja famosa, porém, está na cor. O revestimento original da madeira era feito com carbolineum, um produto de tonalidade preta usado para proteger a estrutura contra umidade, cupins, apodrecimento e desgaste provocado pelo tempo.
A escolha tinha um objetivo puramente prático, mas acabou criando uma identidade única para o templo, que até hoje é conhecido como “Igreja Preta”. Segundo pesquisadores da arquitetura histórica como Angelina Wittmann, não há outro exemplar semelhante no Brasil, o que reforça a comparação com a igreja preta de Budakirkja, na Islândia.
Preservação das características
Ao longo dos anos, a construção passou por reformas que modificaram parte de suas características originais. Em 2014, as antigas telhas cerâmicas deram lugar às telhas do tipo shingle, a madeira recebeu pintura automotiva preta e o gramado ao redor foi substituído por brita.
Apesar das mudanças, a pequena igreja continua sendo um dos tesouros escondidos de Santa Catarina e um daqueles lugares capazes de surpreender até quem conhece bem o Estado.










