Bolha de ar quente pode levar termômetros a 42 °C: por que o calor continua no quarto mesmo depois que a rua esfria

Paredes, lajes, pisos e móveis absorvem energia durante o dia e podem liberá-la por horas; apartamentos voltados para o poente estão entre os mais afetados

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Estrutura da residência pode continuar irradiando calor mesmo depois da queda da temperatura externa (Foto: Cottonbro Studio / Pexels)

Estrutura da residência pode continuar irradiando calor mesmo depois da queda da temperatura externa (Foto: Cottonbro Studio / Pexels)

A temperatura cai do lado de fora, uma brisa entra pela janela, mas o quarto continua quente e abafado. A diferença ocorre porque paredes, lajes, pisos e até parte dos móveis podem armazenar durante horas o calor absorvido ao longo do dia.

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O efeito tende a ficar mais evidente em períodos de temperaturas elevadas, como o previsto para os próximos dias. Após uma frente fria, o calor deve voltar a ganhar força no Brasil, com marcas acima de 35 °C no Sul e do Sudeste e próximas de 42 °C no Centro-Oeste.

Sete coisas que deixam o quarto mais quente

Por que a casa continua quente à noite?

Uma residência não é aquecida apenas pelo ar que entra pelas janelas. Telhados, fachadas e vidros recebem radiação solar, enquanto as paredes, lajes e pisos absorvem parte dessa energia.

Materiais densos, como concreto, conseguem guardar uma quantidade considerável de calor. Quando a temperatura externa começa a cair, essa energia não desaparece imediatamente: ela é liberada gradualmente para os cômodos.

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O Departamento de Energia dos Estados Unidos compara esse processo ao funcionamento de uma bateria térmica, mas voltada ao armazenamento de energia térmica. O ambiente precisa perder tanto o calor presente no ar quanto o acumulado na construção.

Pico de calor durante a noite

A inércia térmica provoca um atraso térmico entre o aquecimento externo e o interno. A fachada pode receber sol intenso durante a tarde, mas parte desse calor leva algumas horas para atravessar os materiais e atingir o interior.

O ProjetEEE, plataforma de eficiência energética em edificações vinculada ao Ministério de Minas e Energia, explica que construções com alta inércia apresentam defasagem e amortecimento dos picos de temperatura.

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A característica pode ser útil em regiões nas quais os dias são quentes e as noites suficientemente frias. Porém, quando o calor externo permanece elevado durante vários dias, a estrutura pode não conseguir descarregar toda a energia acumulada antes de começar um novo ciclo de aquecimento.

Apartamentos podem sofrem mais

Os cômodos voltados para o oeste, direção conhecida como poente, recebem o sol da tarde, justamente no período em que as superfícies já passaram várias horas sendo aquecidas.

Como os raios solares chegam em um ângulo mais baixo, podem atravessar as janelas e atingir diretamente a mobília e a estrutura. Ao mesmo tempo, a própria fachada absorve energia.

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Cortinas e persianas internas reduzem parte da luz, mas não impedem que toda a radiação atravesse o vidro. Proteções externas, como toldos, brises e venezianas, costumam ser mais eficientes porque bloqueiam o sol antes que ele entre no ambiente.

Como evitar que o quarto acumule tanto calor

A estratégia mais eficiente é impedir o aquecimento antes que ele aconteça. Em quartos voltados para o poente, cortinas e persianas devem ser fechadas antes de o sol atingir diretamente a janela.

Equipamentos eletrônicos desnecessários podem ser desligados, sobretudo no fim da tarde e durante a noite. Também vale evitar o uso prolongado de computadores, televisores e videogames em quartos pequenos sem ventilação.

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Quando a temperatura externa cair abaixo da interna, portas e janelas podem ser abertas para criar ventilação cruzada. Um ventilador direcionado para fora da janela ajuda a expulsar o ar quente, enquanto outra abertura permite a entrada de ar mais fresco.