Ponto turístico da cidade guarda rio de onde surgiu a primeira captação de água de Joinville

Antes das estações modernas, águas captadas no Rio do Engenho percorriam tubulações até abastecer chafariz e bicas espalhadas pelo Centro

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Rio do Engenho, primeiro ponto de captação de água em Joinville

Pequeno rio em Joinville foi a primeira fonte de água da cidade (Foto: Bárbara, Siementkowski, Arquivo Histórico, Divulgação)

Quem passeia pelo famoso morro do Boa Vista, que dá acesso ao Zoobotânico e ao Mirante de Joinville já conhece o pequeno rio que dá as “boas-vindas” a trilha. Na subida já é possível ouvir o barulho de água do Rio do Engenho. Contudo, mais do que adornar a experiência do passeio, o curso d’água também faz parte da história da cidade.

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Antes das atuais estações modernas de água que abastecem os 600 mil habitantes, foi ali que, em 1885, foi instalado o primeiro ponto de captação de água de Joinville. O sistema abasteceu ao menos seis bicas. Embora os registros fotográficos da captação em si não exista no acervo do Arquivo Histórico, por conta da limitação de recursos para registros visuais da época, há alguns fotos do início do século XX onde se vê esses pontos.

Veja fotos antigas das bicas de água e atuais do Rio do Engenho:

A história do sistema, no entanto, começou cerca de 15 anos antes, conforme explica o artigo “Estudo arqueológico dos primeiros sistemas de abastecimento de água de Joinville”, da pesquisadora e engenheira civil Lidia Juliana Guiz Fernandes Corrêa, junto com Maria Cristina Alves e Dione da Rocha.

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Segundo as pesquisadoras, foi por volta de 1870 que, diante da necessidade de abastecer a então vila de Joinville com água potável, foi elaborado um projeto para aproveitar as águas que desciam do Morro do Boa Vista. O curso de água era chamado de Reismuehlenbach, nome alemão que pode ser traduzido como “Ribeirão do Engenho de Arroz”.

Uma comissão formada por políticos e empresários da cidade apresentou o projeto à Câmara Municipal da época. Em 30 de janeiro de 1870, o município ofereceu 200 mil réis e autorizou o grupo a arrecadar o mesmo valor por meio de contribuições da população. No Arquivo Histórico, há material documental sobre o processo de aquisição e instalação da rede de água, como correspondências da Superintendência Municipal.

Veja:

Projeto levou anos para sair do papel

Os trabalhos preliminares começaram somente em junho de 1877. Na ocasião, foram feitas medições e o nivelamento do caminho que seria percorrido pelo encanamento desde o rio do Engenho. O planejamento previa que a tubulação continuasse até a Praça do Mercado, atual Praça Lauro Müller, e chegasse também ao porto localizado às margens do Rio Cachoeira.

A planta definitiva da rede de água potável foi apresentada à Câmara Municipal no início de 1884 pelo engenheiro August Heeren. O documento detalhava o trajeto do encanamento, os materiais necessários e o orçamento da obra.

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Diante deste cenário, uma nova comissão foi formada e parte dos equipamentos necessários ainda precisaria ser trazida do exterior. Hermann August Lepper conseguiu na Alemanha um catálogo com os preços de tubos, conexões e outras peças utilizadas na construção. Ele também se comprometeu a contribuir com dez contos de réis para a execução do projeto.

Tubulações foram trazidas da Alemanha

A implantação da rede de água tornou-se um dos principais acontecimentos de Joinville em 1885. Segundo registros históricos, as tubulações custaram aos cofres municipais 6:970$051 (seis contos, novecentos e setenta mil e cinquenta e um réis), valor que incluía o transporte desde a Alemanha e as taxas alfandegárias.

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Em 1886, o sistema já estava em pleno funcionamento nas áreas centrais da cidade. A água captada no Rio do Engenho seguia pelas tubulações e alimentava inicialmente seis bicas públicas espalhadas pelo Centro.

Esses pontos eram essenciais para os moradores em uma época em que não existia uma rede de distribuição ligada diretamente às residências como ocorre atualmente. A população precisava buscar a água nos chafarizes e nas bicas instaladas em diferentes ruas.

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Com o crescimento de Joinville, o sistema foi ampliado. Em 1898, o município contraiu um novo empréstimo para obras no cais do Rio Cachoeira e para o prolongamento da rede de água.

Registros apontam chafariz e nove bicas

Buscas realizadas pelas pesquisadoras no acervo do Arquivo Histórico de Joinville e em registros fotográficos identificaram a existência de um chafariz na Praça Lauro Müller e de pelo menos nove bicas instaladas em diferentes regiões da área central.

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Entre os pontos estavam cruzamentos das ruas do Príncipe, Princesa Isabel, Ministro Calógeras, Conselheiro Mafra, 7 de Setembro, Itajaí, 9 de Março, Visconde de Taunay e Abdon Batista. Também existiam estruturas próximas ao Mercado Público Municipal, na atual Avenida Procópio Gomes, e na Rua Santos, atrás do porto e do moinho.