Vídeo com IA de Bolsonaro em convenção do PL pode parar no TSE? Entenda regras

Na gravação, identificada como conteúdo gerado por IA, uma reprodução do ex-presidente aparece manifestando apoio à candidatura do filho

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Vídeo com imagem gerada por IA de Jair Bolsonaro foi exibido durante convenção do PL neste sábado (25) (Foto: Youtube, Reprodução)

O vídeo de inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), exibido neste sábado (25) gerou repercussão e dúvida se o material pode ou não parar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na gravação, identificada como conteúdo gerado por IA, uma reprodução do ex-presidente aparece manifestando apoio à candidatura do filho.

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O material foi apresentado durante o evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. As regras para o uso de inteligência artificial em campanha eleitoral estão previstas em uma resolução de 2019, que trata da desinformação na propaganda eleitoral, com alterações promovidas ainda em 2026. A normativa prevê a sinalização do uso da tecnologia e restrições de compartilhamento, principalmente próximo ao pleito.

Veja fotos da convenção:

Em avaliação, feita por fontes ouvidas pela CNN, é de que o episódio deve reabrir o debate sobre os limites do uso da tecnologia nas eleições de 2026. Para especialistas ouvidos pela reportagem, o caso pode esbarrar em duas frentes distintas. Uma delas envolve as restrições que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, já impôs a Bolsonaro, proibindo a divulgação de manifestos político-eleitorais do ex-presidente, inclusive por terceiros.

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A outra é a regulamentação do TSE para conteúdos sintéticos, que vale também para atos e convenções partidárias realizados antes do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto.

O que diz a regra do TSE sobre uso de IA

Ao contrário do que muita gente pensa, o uso de inteligência artificial não é proibido nas eleições deste ano. A exigência central é a transparência, sempre que um conteúdo for criado ou alterado significativamente por IA, isso precisa ser informado de forma clara e visível, com indicação da tecnologia usada. A regra vale para textos, imagens, vídeos e áudios.

Só que estar identificado como IA não livra o material de outras regras eleitorais, como a proibição de espalhar informações falsas ou fora de contexto que possam prejudicar candidaturas ou a lisura do processo.

Existe ainda um período de maior restrição: entre 72 horas antes e 24 horas depois do fim da votação, fica proibido publicar, republicar ou impulsionar qualquer conteúdo sintético com imagem, voz ou fala de candidatos e pessoas públicas, mesmo que devidamente identificado como produzido por IA. A ideia do TSE é evitar manipulações de última hora, no momento mais sensível da eleição.

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As plataformas de internet também entram na conta. Ao identificar ou ser avisadas sobre conteúdo irregular, elas precisam agir para tirar do ar, impedir monetização e barrar o impulsionamento do material, sob risco de responsabilização.

A resolução do TSE ainda proíbe que sistemas de inteligência artificial indiquem preferência eleitoral, recomendem candidatos ou partidos, ou favoreçam e prejudiquem campanhas por meio de respostas automáticas. E veta a criação de imagens ou vídeos com conteúdo sexual envolvendo candidatos, numa tentativa de conter a violência política, sobretudo contra mulheres.