A forma da Terra determinada pela gravidade ganhou uma nova representação tridimensional da Nasa. Cheia de ondulações, a imagem mostra como a distribuição desigual de massa altera o campo gravitacional ao redor do planeta.
O modelo também carrega uma contribuição brasileira. Medições de posicionamento por satélite e nivelamento fornecidas pelo IBGE foram comparadas aos resultados calculados, ajudando os cientistas a verificar seu desempenho.
Representações da Terra
Representação a partir do irregular
A visualização interativa da Nasa apresenta o geoide, uma superfície imaginária que corresponde à forma assumida por um oceano global em repouso, sujeito apenas à gravidade terrestre.
Portanto, as ondulações não mostram montanhas, vales ou fossas oceânicas. Elas representam diferenças na atração gravitacional, provocadas pela distribuição irregular de rochas e outras massas no interior da Terra.
Em áreas em que a atração gravitacional produz um nível potencialmente mais elevado, o geoide aparece projetado para fora. Nas regiões com valores menores, a superfície de referência parece afundar.
Os extremos apresentados pela Nasa ficam em dois pontos:
- 85 metros acima da referência nas proximidades da Islândia;
- 106 metros abaixo no sul da Índia.

Como os dados brasileiros foram usados
O modelo exibido se chama GOCO06s. Ele foi desenvolvido pelo projeto Gravity Observation Combination, formado por instituições europeias, e detalhado em um estudo publicado em 2021.
Para avaliar o resultado, os pesquisadores precisavam comparar as estimativas feitas a partir do espaço com medições independentes em solo. Nesse ponto, entrou o conjunto de dados fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.
As informações combinavam altitudes calculadas por sistemas GNSS, como o GPS, com altitudes físicas obtidas por nivelamento. A diferença entre esses valores permite estimar a posição do geoide em pontos conhecidos do território.
Os pesquisadores fizeram o mesmo tipo de comparação usando bases da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos. Assim, puderam testar o desempenho do modelo em continentes e redes geodésicas diferentes.
A contribuição brasileira foi relevante por fornecer uma referência sobre uma área extensa, mas teve limites. O próprio estudo apontou imprecisões médias associadas à dimensão continental do Brasil e a lacunas da infraestrutura geodésica.

Modelo combina 19 satélites e 15 anos de dados
O GOCO06s reuniu mais de 1 bilhão de observações coletadas durante 15 anos por 19 satélites. A combinação permite observar desde grandes estruturas do campo gravitacional até variações de menor escala.
Entre as fontes está a missão GRACE, realizada pela Nasa com o centro aeroespacial alemão. Seus dois satélites detectavam pequenas mudanças na distância entre eles conforme atravessavam regiões com atração gravitacional diferente.







