A Kalshi, startup da ex-bailarina brasileira, Luana Lopes Lara, registrou um volume de negociações de R$ 149 bilhões (US$ 27 bilhões) durante a Copa do Mundo de 2026 e dobrou o número de usuários na plataforma, com cerca de 3 milhões. A empresa trabalha no mercado de predições que, desde março de 2026, é proibida de operar no Brasil.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, agência internacional de notícias, os números superaram as expectativas da empresa. A Kalshi esperava movimentar US$ 13 bilhões e cerca de 1,5 milhão de usuários durante o torneio que ocorreu de 11 de junho a 19 de julho de 2026, no México, Canadá e Estados Unidos. Plataformas do mercado de predições negociam contratos sobre o desfecho de acontecimentos reais, como decisões políticas, indicadores econômicos, eventos esportivos, fim de guerras e até previsão do tempo.
Elas funcionam como espécie de termômetro do que as pessoas esperam. Na prática, operam sob lógica semelhante à das bets e, ao prometerem prêmios pré-definidos, precisariam estar submetidas às mesmas regras regulatórias e de fiscalização, na avaliação do governo.
Proibição no Brasil e no mundo
Em março de 2026 a proibição de plataformas que atuam no mercado de previsões foi anunciada pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Miriam Belchior (Casa Civil). Na análise do governo federal, os mercados de predição não estão aderentes à regulação de apostas e, por isso, seriam ilícitos por violarem a lei aprovada pelo Congresso Nacional.
O governo também diz que essas plataformas, muitas vezes comercializadas como modalidades de investimento ou acordos entre usuários, operam à margem do sistema financeiro, contornando a legislação. Com isso, plataformas como a Kalshi e também Polymarket são bloqueadas no Brasil.
Em alguns locais dos Estados Unidos, como Massachusetts e Washington, também estão proibindo esse tipo de atividade, divulgou a Reuters.
Fundadora da Kalshi é ex-bailarina do Bolshoi em Joinville
O nome da Kalshi ganhou repercussão quando Luana entrou para a lista da Forbes bilionária mais jovem do mundo a criar sua própria empresa. A brasileira é natural de Minas Gerais e morou em Joinville, no Norte catarinense, onde estudou dança na Escola de Teatro Bolshoi do Brasil, a única filial do Bolshoi fora da Rússia.
Em 2014, quando ainda morava em Joinville, ela entrou para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e se formou na Universidade. Lá conheceu Tarek Mansour e junto com ele fundou a empresa. No início de suas carreiras em instituições financeiras como Goldman Sachs, Citadel e Bridgewater, Tarek e Luana observaram que muitas decisões financeiras eram motivadas por previsões sobre eventos futuros. No entanto, eles perceberam uma lacuna no mercado: não havia uma maneira direta para as pessoas negociarem com base nos resultados desses eventos.
Segundo a Forbes, em 2025 a Kalshi elevou o patrimônio líquido de seus cofundadores a 1,3 bilhão de dólares, o equivalente a R$ 6,93 bilhões para cada um, que detêm cerca de 12% da empresa. A valorização tem sido expressiva nos últimos anos. A Kalshi foi avaliada em US$ 11 bilhões (R$ 57,2 bilhões) em dezembro de 2025, sendo que no início do ano era de US$ 5 bilhões.













