“Palhaço”, “energúmeno”: Autoridades reagem a falas de Milei no Brasil, e governo Lula prega cautela

Após visita em que presidente argentino atacou Lula e Alexandre de Moraes, ministros do governo e opositores argentinos reagiram às falas e elevaram crise diplomática

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Milei e Lula

Milei chamou Lula de "presidiário" e "ladrão" durante convenção do PL, em São Paulo (Fotos: Leon Rodrigues, Prefeitura de São Paulo / Agência Brasil, Arquivo)

As falas do presidente argentino Javier Milei durante convenção nacional do PL no sábado (25), em São Paulo (SP), ainda repercutem na diplomacia e na política brasileira. Após as primeiras reações de reprovação das ofensas de Milei, como a convocação de embaixadores por parte do Ministério das Relações Exteriores, expoentes do governo Lula seguiram o tom elevado de respostas contra o líder argentino.

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O ministro da Fazenda Dario Durigan chegou a chamar Milei de “palhaço”, antes de afirmar que os números da economia brasileira são melhores aos da Argentina, citando indicadores como produção e inflação. Mais tarde, Durigan afirmou que as afirmações foram feitas em caráter pessoal e não representam posição de governo.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também foi para o ataque e afirmou que Milei seria “uma caricatura patética”, que “envergonha o cargo que ocupa” e que atuaria como “puxa-saco” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Reações também na política argentina

As reações enfáticas às falas de Milei ocorreram também no ambiente político argentino. O ex-presidente argentino, Alberto Fernández, publicou um texto na rede social X afirmando que “Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno”, e exigir “ver um golpista preso”. “Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, escreveu.

O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, também criticou o discurso de Milei e afirmou que as afirmações causaram “vergonha alheia”. Kicillof é um dos principais opositores de Milei e disse que telefonou para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para lamentar o episódio.

Jornais argentinos também repercutiram a crise desencadeada pelas ofensas de Milei durante a convenção que lançou a candidatura do aliado Flávio Bolsonaro (PL) a presidente da República nas Eleições 2026. No evento, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e “ladrão” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”.

Dois dos principais jornais argentinos, Clarín e La Nación, destacaram a fala do ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, que chamou Milei de palhaço após o episódio de sábado. Os veículos afirmaram que as afirmações fizeram crescer a briga diplomática entre os países.

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Governo Lula prega cautela

Em meio à escalada na tensão entre Brasil e Argentina em razão das falas de Milei, o governo Lula pregou cautela aos ministros nas manifestações sobre as afirmações do presidente argentino. O governo considera o episódio “muito grave”, mas também desaprovou as falas mais duras dos ministros Durigan e Boulos. Em razão disso, o Ministério das Relações Exteriores teria orientado o primeiro escalão a evitar partirem para ataques pessoais, porque isso equivaleria a reagir no mesmo tom.

Até o momento, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. Na diplomacia, a medida é vista como o segundo passo nas crises com outros países. O primeiro, de convocar o embaixador do país, em território brasileiro, já havia sido tomada no fim de semana.