Nesta quarta-feira (29), Laguna, terceiro município mais antigo de Santa Catarina, celebra 350 anos de fundação. A cidade reúne um patrimônio que atravessa milênios: dos povos sambaquieiros, ao nascimento de Anita Garibaldi.
Berço de personagens históricos, palco de revoluções e referência na colonização açoriana, Laguna construiu uma identidade que une cultura, tradição, arquitetura e belezas naturais. Durante três séculos e meio, a cidade mantém vivas as marcas do passado.
Das primeiras civilizações à fundação da vila
Muito antes da chegada dos portugueses, a região já era ocupada pelos povos sambaquieiros, responsáveis por alguns dos maiores sítios arqueológicos das Américas. Atualmente, Laguna reúne 43 sítios registrados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), um patrimônio que ajuda a contar os primeiros capítulos da ocupação humana no litoral catarinense.
A história oficial começou em 29 de julho de 1676, quando Domingos de Brito Peixoto fundou a Vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, estabelecendo um importante núcleo de ocupação portuguesa no Sul do Brasil. A primeira construção foi uma pequena capela de pau a pique, no mesmo local onde hoje está a Igreja Matriz.
Poucas décadas depois, a chegada dos colonos açorianos, a partir de 1748, consolidou tradições que permanecem presentes até hoje, como a pesca artesanal, a produção de farinha de mandioca e diversos costumes que ajudaram a formar a identidade cultural lagunense.
Uma cidade que fez história
Laguna não foi apenas espectadora dos grandes acontecimentos nacionais. Em 29 de julho de 1839, 163 anos após sua fundação, tornou-se a capital da República Juliana, durante a Revolução Farroupilha.
Também foi o berço de Anita Garibaldi, nascida em 30 de agosto de 1821, personagem que ultrapassou fronteiras e entrou para a história como a Heroína dos Dois Mundos ao lutar pela liberdade no Brasil e na Itália.
A construção da cidade também traz a forte contribuição da população negra, presente desde a fundação da vila. Essa história é representada por marcos como a antiga Capela dos Homens Pretos, iniciada em 1845, e pela trajetória da professora Júlia Chrispina do Nascimento, que fundou, em 1903, a primeira escola criada por uma mulher negra em Laguna.
Locais que contam a história de Laguna
Ao longo de três séculos e meio, Laguna construiu um conjunto de monumentos, instituições e espaços que preservam a memória da cidade e ajudam a contar sua história.
- Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos: erguida no mesmo local da primeira capela construída por Domingos de Brito Peixoto em 1676;
- Centro Histórico: tombado pelo Iphan em 1985, reúne casarões coloniais, ruas de pedra e um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados de Santa Catarina;
- Farol de Santa Marta: inaugurado em 1891, tornou-se um dos principais cartões-postais do litoral catarinense;
- Mercado Público: reconstruído em estilo art déco após o incêndio de 1939, segue como ponto de encontro da cultura e da gastronomia local;
- Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos: inaugurado em 1884, permanece como referência na saúde da região;
- Cine Teatro Mussi: aberto em 1950, é um dos principais símbolos da vida cultural lagunense;
- Ponte Anita Garibaldi: inaugurada em 2015, é a maior ponte estaiada em curva do Brasil e se consolidou como um dos novos cartões-postais da cidade.







