Impressão digital química e IA: as novas armas contra o desmatamento na Amazônia

Tecnologia da USP analisa a química de árvores e usa IA para rastrear origem de madeira ilegal na Amazônia e combater fraudes ambientais

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Metodologia criada por pesquisadores da USP mapeia a composição química da madeira para identificar a origem exata de árvores cortadas na Amazônia (Foto: Ilustração, IA)


Cientistas criaram uma “impressão digital química” capaz de rastrear a origem exata da madeira ilegal na Amazônia. A tecnologia — desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) — descobre a região precisa onde a árvore cresceu para desmascarar fraudes em documentos e barrar a exploração predatória. A inovação, que também utiliza Inteligência Artificial no cruzamento de dados, fortalece a fiscalização e a rastreabilidade do setor florestal no Brasil, garantindo mais segurança para empresas e consumidores.

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FOTOS: Tecnologia no combate ao desmatamento na Amazônia

Segundo pesquisa divulgada pela Agência Fapesp e publicada na conceituada revista científica Molecules, a metodologia utiliza a análise de isótopos estáveis presentes na celulose da madeira para construir um mapa de referência geográfica, conhecido como isoscape.

A ferramenta já vem sendo aplicada em apoio a perícias ambientais e investigações da Polícia Federal, além de abrir novas possibilidades para reforçar a rastreabilidade em cadeias produtivas do agronegócio e do setor florestal, garantindo o cumprimento dos compromissos socioambientais (ESG).

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Inteligência artificial amplia precisão e descarta 80% da área florestal

A inteligência artificial permite prever a distribuição espacial dos isótopos e comparar rapidamente amostras apreendidas com o banco de dados.

Os pesquisadores ainda trabalham para superar limitações da ferramenta na fase atual do projeto.

O nosso melhor modelo consegue excluir 80% da área florestal da Amazônia, que são 3,2 milhões de quilômetros quadrados. O problema é que 20% ainda é muito. Para se ter uma ideia, dá mais ou menos 640 mil quilômetros quadrados, uma área equivalente a duas vezes e meia o Estado de São Paulo, diz Martinelli.

Assinatura química e banco de dados de 800 árvores da Amazônia

O estudo foi desenvolvido no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), sob coordenação do professor Luiz Antonio Martinelli, com participação da pesquisadora Isabela Maria Souza Silva em projeto de doutorado financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A técnica analisa a proporção de isótopos de oxigênio, carbono, nitrogênio e estrôncio na celulose, elementos que variam conforme o clima, solo e altitude de cada localidade, formando uma identidade natural praticamente impossível de ser falsificada.

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Para criar o mapa isotópico, os cientistas coletaram amostras de aproximadamente 800 árvores distribuídas em 63 localidades da Amazônia. O maior desafio se concentrou no arco do desmatamento, área que reúne grande diversidade de solos e microclimas, o que exigiu um esforço maior de mapeamento e análise.

Para processar a imensa diversidade ambiental do bioma, a equipe combinou modelos estatísticos com técnicas de aprendizado de máquina (machine learning).

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Apesar do avanço, os pesquisadores ressaltam que o envio contínuo de novas amostras tornará o sistema ainda mais afunilado e preciso.

Além de municiar os órgãos de fiscalização com dados auditáveis contra fraudes no Documento de Origem Florestal (DOF), a tecnologia oferece às indústrias de madeira, móveis e construção civil de Santa Catarina e do país um mecanismo independente para comprovar a legalidade da matéria-prima e erradicar o desmatamento ilícito de suas cadeias de suprimento.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.