Uma fêmea de tubarão-branco com 3,65 metros de comprimento e cerca de 457 quilos voltou a transmitir sua localização em águas canadenses, após percorrer uma extensa rota entre o Golfo do México e o norte do Atlântico.
Batizada de Ernst, ela foi marcada pela organização OCEARCH em outubro de 2025, na costa da Nova Escócia. O animal é classificado como uma fêmea subadulta, portanto ainda pode crescer antes de alcançar a maturidade.
Curiosidades sobre tubarões-brancos
Meses sem aparecer no mapa
O rastreador instalado em Ernst não funciona como o GPS de um celular. A etiqueta presa à nadadeira dorsal precisa sair da água por alguns instantes para conseguir enviar um sinal aos satélites.
Tendo isso em mente, uma das explicações para o pseudodesaparecimento do animal é que a nadadeira ficou tempo demais submersa. Ela precisa de alguns instantes exposta fora da água e estar no raio do satélite para ser captada.
Cada localização transmitida é chamada de ping. Sinais muito curtos podem registrar apenas que a etiqueta funcionou, sem fornecer coordenadas precisas. Os mapas mostram pontos isolados, não uma linha contínua da viagem.
Odisseia de Ernst
Depois de ser marcada no Canadá, Ernst avançou para o sul dos Estados Unidos. Durante o inverno do Hemisfério Norte, ela passou por áreas próximas à Flórida, ao Alabama e ao norte do Golfo do México.
Com a chegada dos meses mais quentes, a fêmea iniciou o caminho de volta. Ela subiu pela costa leste norte-americana, passou pela região de Nova York e alcançou o Golfo de São Lourenço, no Canadá.

Tubarões estão ficando mais tempo no Canadá
Um estudo publicado na revista científica Marine Ecology Progress Series analisou dados de 260 tubarões-brancos monitorados entre 2014 e 2023 em águas canadenses.
Os pesquisadores observaram uma mudança consistente a partir de 2019. Entre 2018 e 2022, a probabilidade de tubarões alcançarem uma área monitorada perto de Halifax cresceu 2,4 vezes.
No Estreito de Cabot, passagem que separa a Nova Escócia da ilha de Terra Nova, a chance estimada de migração aumentou cerca de 3,7 vezes no mesmo período
Além disso, o tempo médio de permanência nas águas do norte avançou de aproximadamente 48 para 70 dias. Isso indica que os animais não estão apenas chegando em maior número, mas também ficando por mais tempo.

Migração predatória
Uma das principais explicações envolve a recuperação das populações de focas-cinzentas e focas-comuns. Esses mamíferos marinhos são presas importantes para tubarões-brancos de grande porte.
Leis de proteção adotadas nos Estados Unidos e no Canadá permitiram que populações de focas voltassem a crescer. Como consequência, os predadores passaram a encontrar uma fonte mais abundante de alimento em áreas que tinha menos presas anteriormente.









