De Joinville a Nova York, bailarino transforma paixão pela dança em carreira e marca que vende no Brasil e nos EUA

Jovani Furlan, bailarino de Joinville e primeiro bailarino da New York City Ballet, veio ao Festival de Dança que ocorre até o dia 1ª de agosto

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bailarino de Joinville

Bailarino de Joinville volta ao Festival de Dança com sua marca própria (Foto: Jovani Furlan, Divulgação)

Ao nascer na cidade da dança, parecia que o destino de Jovani Furlan, primeiro bailarino da New Yor City balé já estava até escrito. “Era para ser”, como disse. Motivado pela avó, ingressou na Escola de Teatro Bolshoi no Brasil e construiu sua carreira internacional. Mas, é no Festival de Dança de Joinville que se conecta com sua comunidade e relembra como a dança é seu combustível.

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Durante o evento, Furlan veio prestigiar sua comunidade, rever amigos e também trazer sua marca, a Furlan Dance Wear, empreendimento que iniciou na pandemia e que agora também faz parte de sua vida, assim como a dança.

Eu adoro a minha cidade. E a minha cidade é a minha cultura, porque é a cultura da dança. É muito bom estar aqui. É muita correria, muita loucura, mas é bem inspirador. Todo dia dentro do estúdio é tão interno e tão intenso que, às vezes, você esquece o que está acontecendo à sua volta. Eu venho aqui e me lembra da paixão que todo mundo tem pela dança, descreveu ao NSC Total.

Mas, essa paixão começou bem antes. Nas festas de família, Jovani dançava e se divertia, de forma despretensiosa. Ao ver o neto, a avó disse, porque não se inscrever no Bolshoi Brasil? A filial em Joinville é a única fora da Rússia.

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Minha avó falou: ‘Meu neto é tão lindo no balé, você gosta tanto de dançar. Eles vão estar na sua escola essa semana, por que você não faz o teste?’. Eu tinha 10 anos. Fiz o teste, passei, e essa foi minha introdução ao mundo do balé, relembra Furlan.

Foi em 2003 suas primeiras aulas e desde então foi se encontrando na área.

Eu já gostei de cara assim, gostei muito da disciplina que demandava do balé. Comecei a entender meu corpo, ter dores musculares e conhecer muitas coisas. Foi muito legal, eu passei sete anos na escola e cada ano você vai se empoderando mais da dança, compartilhou.

A bolsa para Miami que mudou sua vida

Em 2010 ele participou de uma competição nos Estados Unidos e foi onde conseguiu sua primeira oportunidade para dançar no exterior: uma bolsa no Miami City Ballet School. Como ainda faltava um ano para terminar sua formação no Bolshoi Brasil, ele trancou sua matrícula caso quisesse voltar, mas a partir dali, ele mudou sua vida toda.

Iniciou como estudante em janeiro daquele ano, mas em meados de março a escola ofereceu um contrato como aprendiz na Companhia. Lá ele foi avançando, de aprendiz, virou corpo de baile (os bailarinos que dançam junto nos espetáculos), depois se tornou solista (onde o bailarino dança papeis solos, mas não necessariamente o principal) e depois se tornou o primeiro bailarino. No ano de 2019 ele fez a audição para o New York City Ballet.

Lá entrei inicialmente como solista e em 2021 me tornei o primeiro bailarino do New York City Ballet. Então, estou lá desde então. É uma companhia super tradicional, tem 75 anos de história e eu sou o primeiro brasileiro a ser o primeiro bailarino deles, disse.

Seu negócio nasceu em meio a pandemia

Um ano após sua entrada no New York City Ballet estourou a pandemia da COVID, em 2020. No período, onde estavam todos ociosos em casa outro projeto veio à tona na vida de Jovani: a Furlan Dance Wear. Ele, que sempre quis abrir o próprio negócio, resolveu usar o período para desenvolver suas ideias e lançar a marca.

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O bailarino conta que sempre teve interesse por moda e sentia falta de peças masculinas com variedade de cores e estilos para usar nos ensaios. Às vezes, recorria a leggings femininas por não encontrar opções que correspondessem ao que buscava. Ao mesmo tempo, empreender já fazia parte do ambiente familiar.

Eu sempre quis fazer algo além dos palcos e também a carreira de bailarino não dura para sempre. Do lado da família, especialmente da minha mãe, todo mundo é empresário. Meu pai sempre falava muito: ‘Você deveria abrir algo para você’, contou.

Foi assim que nasceu a Furlan Dancewear. Jovani começou a desenvolver a marca em 2020, mas levou cerca de dois anos até colocá-la oficialmente no mercado. Nesse período, mergulhou em um universo que até então desconhecia: modelagem, desenvolvimento de produtos, escolha de tecidos, cores e construção da identidade da empresa.

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Eu não sabia nada do que estava fazendo. Como começa? Como desenvolve um produto? O design da marca, o branding, os produtos que eu quero, como se faz a modelagem de uma peça? Foi bastante aprendizado, relembrou.

Antes do lançamento, o bailarino passou cerca de um ano testando as roupas no próprio corpo e depois começou a distribuir peças entre amigos para ouvir opiniões e fazer ajustes. A marca chegou oficialmente ao mercado em junho de 2022.

Hoje, a Furlan Dancewear mantém operações em dois mercados. Há um e-commerce específico para o Brasil e outro nos Estados Unidos, de onde os produtos são vendidos também para outros países. Segundo Jovani, a separação permite trabalhar com preços diferentes e tornar as peças mais acessíveis ao consumidor brasileiro, sem simplesmente converter os valores cobrados em dólar.

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Agora, no período do Festival é a primeira vez que ele abriu um espaço para sua marca bem próximo de onde ocorre a Feira da Sapatilha, na rua Orestes Guimarães, 480. Furlan ficará por Joinville até o final do Festival, onde também dará seu último curso nesta quarta-feira (29): a masterclass de Ballet Clássico.