Em uma região pouco acostumada a ver flocos de neve caindo do céu, os moradores de Chapecó acordaram surpresos na manhã de 21 de agosto de 1965. Pela janela, viram uma fina neve cair sobre a cidade, em um dos episódios mais marcantes do inverno catarinense e que ficou preservado em fotografias e reportagens da época.
A nevasca fez parte de um evento que atingiu diversas cidades do Sul do Brasil em agosto daquele ano. Em Santa Catarina, a neve foi registrada desde o Meio-Oeste, em cidades como Capinzal e Videira, até o Oeste, incluindo Chapecó.
As imagens do Arquivo NSC mostram carros ruas e telhados cobertos de neve. Também é possível ver pessoas agasalhadas posando para fotos com a neve.
Veja fotos da neve de 1965 em SC
Neve não provocou prejuízos em Chapecó
Apesar do impacto visual, a neve registrada em Chapecó não provocou danos significativos — diferentemente da de 1957, em São Joaquim, que acumulou 1,30 metro e é considerada o maior episódio de neve já registrado em SC.
Relatos de moradores de Chapecó em 1965 indicam que, embora o fenômeno tenha chamado a atenção, o frio sentido naquele dia não era mais intenso do que o de uma geada forte.
SC já teve outros episódios de neve
Santa Catarina é conhecida por registrar episódios de neve. O maior ocorreu em São Joaquim, no dia 20 de julho de 1957, quando 1,30 metros de neve chegou a se acumular em alguns pontos. O episódio é considerado o segundo maior do Brasil, atrás apenas de Vacaria, no Rio Grande do Sul, em 1979, quando a neve acumulou em mais de dois metros de altura.
A neve de 1957 durou cerca de sete horas e causou uma série de transtornos ao município, com a perda de criações, árvores com galhos quebrados e casas com telhados destruídos. Além disso, os acessos para a cidade ficaram bloqueados por alguns dias devido à neve.
O episódio recente mais marcante de neve ocorreu em 2013, quando mais de 100 municípios de SC registraram a ocorrência de neve. O fenômeno ocorreu entre os dias 22 e 25 de julho de 2013, sendo o dia 23 de julho o ápice do fenômeno.
Na ocasião, a Grande Florianópolis foi surpreendida com neve no Morro da Cambirela, chamando a atenção dos moradores de Florianópolis e Palhoça. Na época, o local foi chamado de “Alpes Catarinenses” e não tinha ocorrência de neve há 30 anos.

Neve nos últimos anos
No ano passado, Santa Catarina registrou três episódios de neve. A primeira e mais intensa ocorreu no dia 29 de maio. Conforme a Defesa Civil, o fenômeno ocorreu em ao menos quatro municípios: Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urubici e Urupema.
Em São Joaquim, turistas celebraram a neve. No mirante da Serra do Rio do Rastro, foi possível até fazer um boneco de neve. A rodovia em Bom Jardim da Serra, incluisve, passou cerca de uma hora interditada devido ao acúmulo de gelo na pista.
Entre 30 de junho e 1º de julho, houve um segundo episódio de precipitação invernal. Em 9 de agosto, houve o terceiro e último registro, com temperaturas que chegaram a -2° C.
Veja imagens da neve em agosto de 2025
Por que neva tanto em SC?
Santa Catarina é o estado brasileiro com maior frequência de registros de neve, segundo a Epagri/Ciram. Isso ocorre porque as massas de ar polar que avançam do Sul do continente encontram, na Serra catarinense, a combinação de altitude elevada, umidade e temperaturas muito baixas, condições favoráveis à ocorrência do fenômeno.
Neve, chuva congelada ou chuva congelante? Saiba a diferença
Neve
A neve é o fenômeno mais esperado durante o inverno, especialmente em regiões como São Joaquim e Urupema. O fenômeno, porém, só ocorre quando a temperatura do ar está abaixo de 0°C e há umidade suficiente na atmosfera. Os cristais de gelo se aglomeram e caem na forma de flocos, criando a clássica paisagem branca.
Chuva congelada
Já a chuva congelada ocorre quando a neve que cai da nuvem, passa por uma camada de ar mais quente, com temperatura acima de 0°C, mas depois volta a encontrar uma camada de ar frio, e recongela antes de chegar ao chão, formando os pequenos aglomerados de gelo que caem no chão.
Chuva congelante
Já a chuva congelante acontece quando a precipitação cai em forma de gotas líquidas, mas, ao atingir superfícies muito frias, como estradas e calçadas, congela imediatamente, formando uma camada de gelo. Esse fenômeno é particularmente perigoso para o tráfego, pois pode causar acidentes devido à formação de gelo negro, quase invisível, nas vias.





















