Entenda o impacto da chegada da insulina glargina ao SUS

Medicação representa um ganho significativo em segurança, comodidade e eficácia no controle glicêmico

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Medicação representa um ganho significativo em segurança, comodidade e eficácia no controle glicêmico (Foto: Banco de imagens)

Uma importante evolução na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) vem transformando a rotina de centenas de pacientes com diabetes: o acesso à insulina glargina. Distribuída em refis para canetas reutilizáveis, a medicação representa um ganho significativo em segurança, comodidade e eficácia no controle glicêmico.

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Para entender os impactos práticos dessa transição, os critérios do SUS e os cuidados necessários no uso diário, conversei com o médico endocrinologista Dr. Paulo Roberto Larocca de Nazareth, endocrinologia de Blumenau com dedicação exclusiva ao diabetes no serviço público.

Confira os principais destaques da entrevista

Na sua prática, qual é a principal diferença no perfil de ação entre a insulina NPH e a glargina, e como essa estabilidade de 24 horas impacta a redução das hipoglicemias noturnas?

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“A grande diferença é que a insulina NPH possui picos de ação, ou seja, momentos em que age com muito mais força, podendo fazer a glicose cair demais em horários específicos”, explica o Dr. Paulo. “Já a glargina é estável e sem picos, agindo de forma constante por 24 horas. É essa estabilidade que traz segurança: sem a ‘onda’ súbita de ação, o risco do açúcar no sangue cair perigosamente durante o sono (hipoglicemia noturna) é muito menor.”

Quem tem direito de acesso pelo SUS?

Neste momento, a transição da NPH para a glargina na atenção primária do SUS prioriza os grupos mais vulneráveis a variações bruscas de glicemia e complicações: crianças e adolescentes com Diabetes Tipo 1: de 2 a 17 anos. Idosos com 70 anos ou mais: diagnosticados com Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2.

“O critério principal é garantir que esses pacientes, que têm mais dificuldade em perceber ou manejar quedas de açúcar, tenham um tratamento mais moderno e seguro”, pontua o endocrinologista.

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Ao migrar da NPH para a glargina, como costuma ser feito o ajuste inicial de doses para evitar variações bruscas na glicemia durante os primeiros dias de uso?

“A migração da medicação exige acompanhamento e atenção nos primeiros dias.Para quem usava NPH 1x ao dia, a dose inicial da glargina costuma ser a mesma. Para quem usava NPH 2x ou mais ao dia, reduz-se a dose total em 20% ao iniciar a glargina, garantindo uma margem de segurança contra quedas de glicose. Recomenda-se medir a glicemia de 3 a 6 vezes ao dia nas primeiras semanas para ajustes finos”.

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A glargina está sendo distribuída em refis para canetas reutilizáveis. Quais orientações sobre o armazenamento correto (antes e depois de aberto) e sobre o descarte de agulhas são essenciais para evitar falhas na aplicação ou lesões de pele?

Como a glargina é distribuída em refis para canetas, o o Dr. Paulo Larocca reforça orientações essenciais de uso:

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  • Deve ser mantido na geladeira (entre 2°C e 8°C), de preferência na gaveta de legumes ou dentro de uma caixa de isopor.
  • Após aberto / em uso: pode ficar fora da geladeira, em temperatura ambiente (até 30°C), por no máximo 28 dias.
  • Cuidado com a agulha: nunca guarde a caneta com a agulha acoplada, pois isso permite a entrada de ar e pode entupir o sistema.
  • Descarte seguro: agulhas usadas devem ser colocadas em recipientes de plástico rígido (como uma embalagem de amaciante vazia) e entregues na Unidade Básica de Saúde (UBS).

Esperamos que a redução no número diário de aplicações e a menor variabilidade melhorem o controle glicêmico no longo prazo. Que resultados de adesão e qualidade de vida você já tem observado nos pacientes que migram para a insulina glargina?

“A mudança é visível. A redução do número de aplicações diárias, aumenta muito a adesão e a vontade do paciente em seguir o tratamento de forma geral. Além disso, a tecnologia dessa insulina, traz maior liberdade e flexibilidade de horários. O paciente dorme mais tranquilo sabendo que o risco de hipoglicemia noturna é menor, o que reflete diretamente em mais disposição e bem-estar no dia a dia”.

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Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.