Moradores da cidade de Muçum, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, foram avisados esta semana que não poderão reconstruir mais casas em áreas de risco após uma decisão da prefeitura. O município fica em torno do Rio Taquari, um dos mais preocupantes quando ocorrem as cheias na região, segundo a Defesa Civil. Em apenas oito meses, as autoridades registraram ao menos três grandes alagamentos.
Com as chuvas que se alastram pelo estado gaúcho, mais de 1 mil pessoas se encontram desabrigadas ou desalojadas no Sul do Brasil. Regiões próximas a corpos d’água estão com alerta constante de inundação. Para Muçum, a cota de risco é de 18 metros. Na última cheia, o rio chegou a 26 metros.
— Começou a entrar água na cozinha, começou a desabar a garagem, desabar a outra garagem. Aí começou a desabar a cozinha e no fim foi a casa toda. Desmanchou. E daí a gente caiu dentro do rio — comentaram os agricultores Raul e Janete Zilio, em entrevista ao g1.
Segundo o portal, 350 edificações ficaram destruídas, o que representa que 80% do munícipio ficou debaixo da água. A enchente também afetou a rodovia e o cemitério municipal, destruindo 3 mil jazigos.
Para maior segurança e visando evitar novos acontecimentos, a prefeitura optou por proibir a construção de novas casas e edifícios em áreas de maior risco, próximas ao rio. A única estrutura permitida no local será uma ponte.
— Decisão nossa: vamos tirar essas famílias da água. Fica melhor para o município e para as pessoas também —afirmou o prefeito Amarildo Baldasso (PSD).
Área interditada vai virar parque ecológico
As áreas interditadas serão transformadas em um parque ecológico de 200 mil metros quadrados. A iniciativa busca reduzir os impactos de futuros alagamentos e criar um espaço de lazer para a população.
De acordo com a empresa responsável pelo projeto, a Embyia, o local será uma recordação dos últimos alagamentos, em especial da tragédia histórica vivida em 2024 no RS.
Confira como é o projeto do parque
A maioria das construções afetadas da região já foi demolida e a população espera pela construção de novas casas em outro endereço. Empresas e negócios também terão incentivos para recomeçar em um novo local
— Eu só vou descansar minha cabeça quando eu entrar na casa onde não vai água — disse a aposentada Cleci Maria.
Outras cidades também aderem a iniciativa
O g1 afirmou que Muçum não é a única cidade a proibir construções em áreas de risco. Outros seis municípios da região discutem a criação de lei para vetar o alojamento em áreas devastadas pelas enchentes.
Em junho de 2026, o Governo do Estado e a Secretaria Reconstrução Gaúcha já haviam assinado um decreto que institui o Plano Integrado para Requalificação Urbanística do Vale do Taquari (PIR). O projeto busca reorganizar as áreas com alta probabilidade receber desastres ambientais.
Os principais municípios incluídos no acordo são Muçum, Arroio do Meio, Colinas, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Lajeado, Roca Sales e Venâncio Aires.
*Sob Supervisão de Luana Amorim



