Os carros chineses mudaram de rota e o Brasil está no centro desse movimento. Entre janeiro e maio de 2026, o país ultrapassou Rússia e Bélgica e se tornou o maior destino mundial dos veículos exportados pela China.
Foram 5,2 bilhões de dólares em automóveis enviados ao mercado brasileiro no período, segundo dados da alfândega chinesa. O resultado representa uma alta de 146,9% em comparação com os 2,1 bilhões de dólares registrados nos cinco primeiros meses de 2025.
Em apenas um ano, o Brasil saltou da sexta para a primeira posição. A Rússia, antiga líder, importou 5 bilhões de dólares em carros chineses, enquanto a Bélgica, importante porta de entrada para o mercado europeu, ficou em terceiro lugar, com 3,8 bilhões de dólares.
O avanço aparece também na quantidade de veículos embarcados. Levantamento do Gasgoo Automotive Research Institute aponta que a China enviou 372.199 carros de passeio ao Brasil entre janeiro e maio, aumento de 178,7% em um ano. A Rússia recebeu 350.641 unidades no mesmo intervalo.
Os dados, porém, não representam apenas carros já vendidos ao consumidor brasileiro. As estatísticas chinesas registram os veículos embarcados, incluindo unidades ainda em transporte, nos portos ou armazenadas pelas montadoras para abastecer concessionárias nos próximos meses.
Eletrificados comandam a invasão
Quase nove de cada dez dólares gastos pelo Brasil com carros chineses foram destinados a modelos eletrificados. Veículos elétricos e híbridos responderam por 4,5 bilhões de dólares dos 5,2 bilhões de dólares importados no período.
Essa concentração ajuda a explicar por que marcas como BYD, GWM, GAC, Geely e Omoda Jaecoo passaram a ocupar cada vez mais espaço nas ruas, nas concessionárias e nos salões de automóveis do país.
A China construiu uma vantagem importante nesse segmento ao oferecer carros com ampla lista de equipamentos, muita tecnologia embarcada e preços capazes de pressionar modelos produzidos por fabricantes tradicionais.
O resultado aparece nas vendas. De janeiro a junho, foram comercializados 215.023 veículos leves eletrificados no Brasil, crescimento de 125% em relação ao primeiro semestre de 2025. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, eles já representaram 16% de todos os carros leves vendidos no país no período. Em junho, a participação chegou a 18%.
Corrida contra o imposto
O interesse dos consumidores explica parte do salto, mas não tudo. As montadoras também aceleraram os embarques para formar estoques antes do aumento do Imposto de Importação.
Desde julho de 2026, carros elétricos e híbridos importados montados passaram a pagar alíquota de 35%. Antes disso, os elétricos recolhiam 25%, enquanto os híbridos plug-in eram tributados em 28%.
A chegada de navios carregados de veículos nos meses anteriores à mudança permitiu às empresas antecipar compras, reduzir o impacto inicial do novo imposto e manter carros disponíveis nas lojas. O movimento ajuda a explicar por que o avanço das importações foi ainda maior do que o crescimento das vendas ao consumidor.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços manteve a alíquota de 35% para veículos montados e semidesmontados. Para os carros totalmente desmontados, destinados à montagem local, a mesma tarifa será aplicada a partir de janeiro de 2027.





