O ritmo de contratações no país atingiu patamares inéditos entre abril e junho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, apurados pelo IBGE, mostram a taxa de desocupação em 5,4% no segundo trimestre, o patamar mais baixo já registrado para os meses da série histórica.
Em todo o território nacional, o total de pessoas trabalhando subiu para 103,1 milhões, impulsionado pela entrada de mais de 1 milhão de trabalhadores no mercado formal e informal em relação ao começo do ano. Com isso, a fila por uma oportunidade de trabalho caiu para 5,9 milhões de pessoas.
Contratações crescem concentradas em setores de menor remuneração
Se a busca por emprego teve recuo acentuado, o valor pago aos trabalhadores parou de subir. O rendimento médio habitual ficou estimado em R$ 3.738, registrando estabilidade frente aos primeiros três meses do ano.
O freio nos ganhos salariais está associado à natureza das vagas abertas recentemente. As áreas que mais absorveram mão de obra foram o comércio, a prestação de serviços e o setor de transportes, atividades que costumam oferecer pisos salariais menores.
Paralelamente, a informalidade permaneceu em 37,4%, abrangendo 13,6 milhões de brasileiros que atuam sem carteira assinada. No segmento formal, o número de empregados com carteira no setor privado bateu o recorde de 39,4 milhões.
Volume de dinheiro na economia e o impacto nas taxas de juros
Embora o salário individual não tenha apresentado avanço, a contratação em massa fez a massa de rendimentos total bater o recorde de R$ 380,3 bilhões em circulação na economia nacional.
Essa movimentação contínua de recursos mantém a demanda aquecida no varejo e no setor de serviços, o que acende o sinal de alerta entre analistas econômicos para a inflação.
Para o bolso de quem planeja tomar crédito ou fazer financiamentos, a combinação de mercado de trabalho aquecido com consumo forte pode adiar a queda nos juros. Esse cenário reduz a margem para o Banco Central promover cortes na taxa Selic, mantendo taxas de empréstimos e crediários elevadas por mais tempo.
*Com edição de Nicoly Souza




