OAB e CNJ preparam mudança histórica no pagamento de processos judiciais para acabar com boleto à vista 

CNJ, OAB e Caixa negociam uso de cartão de crédito para parcelar custas e acórdãos judiciais em até 12 vezes. Entenda como vai funcionar

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Proposta em análise técnica pelo Conselho Nacional de Justiça prevê o parcelamento em até 12 vezes de custas processuais e valores de acordos pela internet (Foto: Banco de Imagens)

A Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Caixa Econômica Federal (CEF) negociam a implementação do uso de cartão de crédito para a quitação de débitos judiciais em todo o país. O modelo prevê a possibilidade de parcelar em até 12 vezes despesas com custas processuais, depósitos fixados por magistrados, condenações e valores acertados em acordos.

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A proposta está em fase de análise técnica e necessita de validação pelo CNJ para a formalização do acordo nacional. Testes da ferramenta já ocorrem nos Tribunais de Justiça de Goiás (TJGO) e do Piauí (TJPI).

FOTOS: Como vai funcionar o parcelamento de dívidas judiciais em até 12x no cartão de crédito

Integrado aos Tribunais

Atualmente, o recolhimento dessas pendências judiciais é realizado à vista por meio de boleto bancário. Com a nova alternativa, a opção de crédito será disponibilizada diretamente nos sites dos tribunais, no mesmo ambiente onde as guias de pagamento são geradas. Advogados e partes interessadas poderão selecionar o número de parcelas pela internet.

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A confirmação da transação será emitida imediatamente para inclusão nos autos, sem gerar custos financeiros para o Poder Judiciário. A liberação instantânea do comprovante visa permitir a assinatura de acordos e a finalização de ações durante audiências de conciliação.

Sobre a medida, o diretor-tesoureiro do CFOAB, Délio Lins e Silva Júnior, destacou a inovação como uma das vantagens:

Nossa intenção é apresentar aos tribunais uma solução inovadora, que possa trazer vantagens tanto para o Poder Judiciário quanto para os depositantes, entre eles advogados e jurisdicionados. Trata-se de uma alternativa que amplia o acesso ao cumprimento das obrigações judiciais com segurança e eficiência.

Gargalos do Sistema

A reformulação no meio de pagamento ocorre em meio ao elevado número de processos em tramitação no país. De acordo com o relatório Justiça em Números 2026, publicado pelo CNJ, o Judiciário brasileiro encerrou o ano de 2025 com 75,5 milhões de ações em andamento.

As cobranças de dívida ativa movidas pelo governo, chamadas de execuções fiscais, concentram 22% do acervo pendente, com tempo médio de tramitação de 8 anos e 2 meses. Sem essas ações específicas, a taxa de congestionamento do Judiciário cairia de 62,6% para 60,3%, enquanto a duração média dos processos finalizados passaria de 2 anos e 4 meses para 1 ano e 6 meses.

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Comparativo com a Europa

O estudo do CNJ traz ainda dados comparativos entre a estrutura brasileira e a europeia. O Brasil registra 8,9 juízes para cada 100 mil habitantes, frente à média de 18 magistrados por 100 mil habitantes observada na Europa.

Em contrapartida, a demanda de novos processos por habitante no país é 4,18 vezes superior à média da União Europeia. Em 2025, a produtividade média foi de 2.366 processos finalizados por juiz no Brasil, contra 252 processos encerrados por magistrados no continente europeu.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.