A Odisseia, de Christopher Nolan, já ultrapassou U$ 700 milhões de dólares e transformou salas de cinema em pontos turísticos. Espectadores cruzaram países e enfrentaram até três dias de estrada para assistir à produção em uma rara tela IMAX 70 mm.
Até 27 de julho de 2026, o cinema da capital da República Tcheca havia recebido 22 mil visitantes de cerca de 15 países diferentes. A procura foi tanta que levou o local a organizar quatro a cinco sessões de A Odisseia por dia, inclusive depois da meia-noite, para atender à demanda.
Países com cinemas IMAX 70 mm
De sala de cinema à cartão-postal
O Cinema City Flora, em Praga, tornou-se ponto de encontro de fãs vindos da Escandinávia, Espanha, Polônia, Alemanha e outros países. Grande parte das sessões esgotou mesmo com a ampliação dos horários.
Uma família norueguesa dirigiu durante três dias, passando pela Dinamarca e pela Alemanha. Depois da sessão, pai e filhos iniciariam o mesmo trajeto de volta, segundo relataram à Associated Press.
“É simplesmente enorme. Viemos da Noruega, e as telas que temos são muito menores”, afirmou Leo Jung. “Agora, assistimos neste formato gigantesco. Sempre vou me lembrar desta experiência.”
O jovem acompanhava as redes sociais do cinema e trocava mensagens com a empresa desde seis meses antes da estreia. Quando os ingressos foram liberados, conseguiu lugares centrais na 11ª fileira.
Outro espectador, Nicolas Walak, já havia assistido ao filme em uma sala convencional. Após rever a produção em Praga, resumiu a diferença: “Isso mudou completamente minha experiência com o filme.”
O que muda no IMAX 70 mm
A Odisseia foi o primeiro longa-metragem gravado inteiramente com câmeras IMAX que usam película de 70 mm. Nesse formato, cada imagem é registrada em uma área muito maior do filme, o que permite captar mais detalhes.
Nos cinemas preparados para essa tecnologia, a cópia usa uma película de 70 milímetros. O formato também é mais alto do que o das telas panorâmicas comuns, por isso a imagem ocupa uma parte maior da tela, principalmente na vertical.

A cópia enviada a Praga pesa cerca de 300 quilos e mede 18 quilômetros. Por causa do tamanho, o material chega dividido em partes, que precisam ser cuidadosamente montadas antes da primeira sessão.
As novas câmeras usadas na produção também precisaram ser adaptadas para o filme. Equipamentos IMAX tradicionais são pesados e produzem bastante ruído, o que dificulta a gravação de diálogos.

Por que existem tão poucas salas
Na distribuição de A Odisseia, somente 41 cinemas no mundo receberam cópias IMAX 70 mm. A maioria estava na América do Norte, enquanto a União Europeia tinha apenas três: Praga, Montpellier, na França, e Bruxelas, na Bélgica.
Essa escassez está ligada à digitalização das salas. Por volta de 2008, redes de cinema começaram a substituir os equipamentos analógicos por sistemas digitais, mais fáceis de operar e com custos menores de transporte e manutenção.
O cinema de Praga seguiu outro caminho. A empresa preservou o projetor antigo, embora ele tenha permanecido parado durante cerca de três anos. A máquina voltou a funcionar em 2012 para exibir Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

No Brasil, A Odisseia chegou a salas IMAX digitais, inclusive em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e cidades do Sul. Nenhum cinema brasileiro, porém, constava na lista oficial das salas com a cópia analógica de 70 mm.







