Uma igreja centenária no sul da Inglaterra passou por uma mudança intrigante, ganhou esteiras e anilhas, tornando-se uma academia de alto padrão. A antiga St Agnes Church, em Hove, hoje abriga uma academia com spa, estúdios e café. O caso lembra outros prédios religiosos com novo uso.
A metamorfose de um templo divino para um templo do corpo foi gradual e já começou em 1977, quando o espaço encerrou os cultos. Desde então, ela foi utilizada por um clube de ginástica por décadas até ser totalmente reformada em 2021.
De templo em tempo
A St Agnes Church fica em Hove, cidade costeira que faz parte de Brighton and Hove. O antigo templo anglicano foi construído em 1913 e declarado sem função religiosa em 1977.
Depois do fechamento, o imóvel chegou a ser usado para treinamento esportivo. Em 2012, a prefeitura registrava que o local servia como sede do Brighton and Hove Gymnastics Club, mas o espaço ainda tinha limitações de infraestrutura.
A mudança começou de verdade depois que o prédio foi comprado pela Natural Fit, rede de academias britânica. O projeto criou novos pavimentos internos para receber academia, spa, piscina, estúdios de atividades e áreas de convivência.

Segundo o projeto do ABIR Architects, a reforma buscou separar os elementos antigos dos novos, sem imitar a arquitetura original, mas sem abandoná-la completamente. O resultado recebeu o prêmio Sussex Heritage Trust em 2022 pela preservação do prédio.
No Brasil, teatros fizeram o caminho inverso
Enquanto a igreja inglesa passou a receber exercícios físicos, diversos espaços culturais brasileiros foram convertidos em templos. Algo muito comum em antigos cinemas de rua, sobretudo nas grandes cidades.

Inaugurado em 1974, o palco recebeu artistas como Elis Regina, Tim Maia, Maria Bethânia e Chico Buarque. Atualmente, o imóvel abriga uma unidade da Igreja Universal.
A mudança não ocorreu apenas ali. Grandes salas perderam público com a expansão da televisão, a migração dos cinemas para shopping centers e as transformações econômicas enfrentadas por áreas centrais.
Esses imóveis, por outro lado, continuaram atraentes para instituições religiosas. Eles já ofereciam plateia voltada para um palco, capacidade para receber muitas pessoas e espaços que podiam ser adaptados sem uma reconstrução completa.
Um estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Geógrafos ainda em andamento visa analisar essa tendência. Até o momento, os pesquisadores mapearam oito antigos cinemas paulistanos durante um trabalho de campo realizado em 2024.

O levantamento, porém, ainda não apresenta um total para toda a metrópole nem uma conclusão definitiva sobre as causas dessas conversões.





