Alfaiataria, colorblock e maximalismo: os anos 1980 voltaram?

Ciclo da moda trouxe novamente tendências dos anos 80 como o maximalismo, a alfaiataria e as ombreiras

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A volta dos anos 80

It girl Hailey Bieber virou personificação da tendência anos 80 (Fotos: Redes Sociais @haileybieber, Reprodução)

Você entra em uma loja e a primeira arara é de peças em cores primárias. Anda mais um pouco e encontra um blazer oversized, com ombreiras largas. Os vestidos são de poá, os laços maximalistas e todo mundo ao seu redor está com o cabelo volumoso. Você pode até pensar que voltou no tempo para os anos 1980 sem querer, mas é 2026.

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É que a moda é cíclica, e assim como a história, ela costuma se repetir com alguma frequência. A moda dos anos 1980 sempre faz um retorno, seja com uma ou outra tendência. As calças “disco” de cintura alta, as aplicações de tachinhas e o estilo pré-grunge foram febre no começo dos anos 2010. No começo dos anos 2020, as jardineiras jeans e os suéteres oversized viraram a moda.

Agora, a tendência que voltou às passarelas é o maximalismo, as ombreiras, o corporate chic com a alfaiataria e o color block.

A coleção de primavera 2027 da grife japonesa KEISUKEYOSHIDA traz a estética anos 1980 com força. A sobreposição de jaquetas amplas, camisas com golas grandes e elementos de alfaiataria aparecem com força na coleção. É o corporate chic, ou seja: roupas que parecem que devem ser usadas para trabalhar num espaço corporativo, mas com um detalhe a mais que torna a peça mais casual, como uma saia lápis, mas de paetês.

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Marc Jacobs também trouxe essa estética já na coleção de primavera 2026. As peças da coleção do ano passado já traziam cortes mais quadrados e um desejo de colorir mais as peças. Na coleção de primavera 2027, as peças abraçam de vez o color block, especialmente nos acessórios: meias coloridas sob os saltos e sobreposições com cores primárias. Além disso, os acessórios dominam, com muitos cintos marcando a cintura, laços grandes e lenços.

Além disso, as texturas (e a combinação delas) se misturam: látex, meia-calça, lã, couro imitando pele de jacaré, metais, transparência. Tudo junto. É o maximalismo anos 1980 com força total. E Jacobs não foi o único: Jean-Paul Gaultier, Valentino e outras também trouxeram elementos semelhantes.

Culturalmente, a nostalgia ganha força

A Xuxa voltou aos palcos e não há nada mais nostálgico que isso. Afinal, a rainha dos baixinhos teve seu pico de sucesso entre os anos 1980 e 1990. Na época, ela quem dominava as televisões e a mente dos brasileiros, seja com as músicas infantis, os programas de TV, os looks ou os relacionamentos.

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Agora, com a turnê “O Último Voo da Nave”, a artista busca trazer a nostalgia da época para 2026, apostando não só nas músicas, mas no pacote completo do que parece mais uma viagem no tempo do que um mero show. Tem a clássica nave, os looks no melhor estilo Mugler anos 1980, cuja aposta era no futurismo otimista, com tons metálicos e ângulos agudos.

Ela não é única artista que voltou a brilhar em 2026. Michael Jackson, apesar de nunca ter deixado o imaginário mundial, o lançamento do filme biográfico do músico fez explodir (de novo) o álbum Thriller, que voltou à primeira posição do ranking de R&B e Hip-Hop da Billboard depois de quatro décadas, em maio deste ano.

O novo álbum de Ariana Grande, petal, produzido por Max Martin, também retoma um pouco da estética musical oitentista, com sintetizadores em evidência (característica do produtor sueco que tem como inspirações Kiss, Prince e Lasse Holm, artistas que fizeram sucesso nos anos 1980).

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O brasileiro Jão evocou também a estética (mais que as influências musicais) para seu projeto Memórias Póstumas. No trailer, o cantor, nas primeiras cenas, aparece de terno gravata (como Patrick Bateman em 1987). Depois, uma rua de São Paulo tomada pelo trânsito mostra um Fusca, um VW Gol e uma Parati, levando o espectador para o final dos anos 1980 ou começo de 1990. Musicalmente, o artista flerta com a sonoridade e os beats sinterizados do rock oitentista (como em Passeios Noturnos).

Dos anos 1980 para 2026: o que muda?

Recuperar os anos 1980 não significa necessariamente reproduzir os looks da década da cabeça aos pés. Como costuma acontecer quando uma tendência retorna, os códigos visuais daquele período são reinterpretados de acordo com o guarda-roupa atual.

É por isso que as ombreiras podem aparecer em um blazer usado com jeans, enquanto o color block surge em uma meia-calça, bolsa ou sapato. A saia lápis deixa de ser exclusivamente uma peça do escritório e ganha paetês, transparências ou combinações inesperadas. Já os acessórios crescem: cintos largos marcam a cintura, brincos ganham volume e laços deixam de ser detalhes discretos.

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O resultado mantém uma das principais características da moda dos anos 1980: o excesso. A diferença é que, em 2026, ele não precisa aparecer inteiro no mesmo look.

Depois do minimalismo, chegou a vez do excesso

O retorno também acontece em um momento curioso da moda. Nos últimos anos, tendências como quiet luxury, clean girl e o próprio minimalismo ajudaram a popularizar uma estética mais contida, marcada por cores neutras, poucos acessórios e peças de linhas simples.

O movimento que começa a aparecer nas passarelas segue quase na direção contrária. Cores fortes voltam a dividir espaço no mesmo look, acessórios ganham protagonismo e diferentes estampas, materiais e texturas podem aparecer juntos.

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É aí que as tendências dos anos 1980 encontram espaço pra voltar: ombros marcados, cinturas bem definidas, alfaiataria ampla, poá, animal print, metalizados, meias coloridas, brincos grandes e combinações de cores primárias.

Isso não significa, porém, que seja necessário abandonar completamente o minimalismo. Para quem quer incorporar a tendência no dia a dia, um único elemento já consegue mudar a leitura da produção. Um blazer estruturado sobre camiseta e jeans, por exemplo, recupera a silhueta da década sem transformar o look em figurino. O mesmo vale para um cinto largo sobre um vestido, uma meia-calça colorida combinada com peças neutras ou um acessório maximalista em uma produção mais simples.

10 tendências dos anos 80 para apostar em 2026

  1. Ombreiras e ombros marcados: blazers, jaquetas e vestidos com ombros estruturados. Para atualizar, combine um blazer oversized com jeans reto, camiseta básica ou saia mais ajustada.
  2. Color block: mistura de duas ou mais cores fortes no mesmo look, especialmente vermelho, azul, amarelo, verde e rosa. Quem não quiser exagerar pode deixar a segunda cor para bolsa, meia ou sapato.
  3. Cintura marcada: cintos largos sobre blazers, vestidos e casacos ajudam a criar a silhueta bem definida característica da década. Também funciona com alfaiataria oversized.
  4. Poá: as bolinhas podem aparecer em vestidos, saias, blusas e acessórios. Para fugir do visual muito retrô, combine a estampa com jeans, couro ou peças de alfaiataria contemporânea.
  5. Meia-calça colorida: vermelho, azul, amarelo, rosa e outros tons intensos entram como ponto de cor. Dá para usar com vestido ou saia neutra e até combinar a meia com o sapato.
  6. Metalizados: prata e dourado recuperam o lado futurista e extravagante dos anos 1980. No cotidiano, uma sapatilha, bolsa ou saia metalizada já entrega a referência sem dominar toda a produção.
  7. Maxiacessórios: brincos grandes, muitos cintos, pulseiras, colares, lenços e laços maximalistas. Em 2026, vale usar um acessório exagerado como protagonista ou abraçar de vez o maximalismo e misturar vários.
  8. Saia lápis: um dos símbolos do guarda-roupa corporativo da década ganha uma leitura menos séria. Pode aparecer com paetês, couro, transparência ou cores fortes e ser combinada com camiseta, tricô ou camisa oversized.
  9. Animal print: onça, zebra e outras estampas animais combinam com a proposta maximalista. Para atualizar, experimente uma peça estampada com outras mais básicas ou use animal print em bolsas e sapatos.
  10. Mistura de texturas: couro, renda, transparência, lã, paetês, látex e tecidos metalizados podem dividir a mesma produção. O segredo para uma versão mais fácil de usar é escolher duas texturas contrastantes, como tricô + couro ou alfaiataria + transparência.