Ele largou região mais fria do mundo de -58°C para viver praias paradisíacas em Florianópolis: “Bebem cerveja no inverno”

Denis Burlakov se mudou para o Brasil há dois anos e faz sucesso nas redes sociais contando como é viver na capital catarinense

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Siberiano compartilha na internet sua jornada no Brasil e as diferenças entre os países (Foto: Denis, Burlakov, Divulgação)

Nascido na Sibéria, em território russo e onde a temperatura já chegou a -58°C, segundo meteorologistas, Denis Burlakov se mudou para o Brasil em 2024 em busca de uma vida melhor para a família. Com praias, belezas naturais e oportunidade de crescimento econômico, Florianópolis foi a escolha do estrangeiro para fixar sua moradia. E é meio a esse cenário que o siberiano usa as redes sociais para mostrar como é viver em uma cidade brasileira.

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A mudança para a capital catarinense não foi a primeira da família siberiana. Antes de vir para o Brasil, Denis já havia morado em Moscou, na Rússia, e também na Turquia. Atualmente, mora com a família no Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina, e trabalha no mercado imobiliário, além de ser influencer divulgando vídeos curiosidades e diferenças entre os países nas redes sociais.

Busca por lugar seguro fez siberiano desembarcar em SC

Vir para o Brasil não era um plano pensado anteriormente. Em 2024, Denis e a família saíram da Turquia após o país alterar regras para realização do visto. Na época, a esposa dele, Nadezhda Eremina, apelidada carinhosamente de Nadya, estava grávida do segundo filho do casal e as novas normas não seriam benéficas para a família.

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Tomada a decisão de se mudar, faltava descobrir para onde iriam. “Florianópolis foi uma escolha muito consciente. Pesquisamos muito antes de vir e vimos que é a Capital mais segura do Brasil, com uma qualidade de vida incrível. Pousamos em São Paulo e viemos direto para a Ilha“, afirma Denis.

O siberiano conta que o valor principal para a seleção da cidade foram as pessoas, já que ele procurava por um país onde pudesse dar um futuro seguro para os filhos, além de trabalhar, empreender e agregar valor.

Para o estrangeiro, a população brasileira é aberta e carinhosa, trazendo como exemplo as escolas de seus filhos:

“Na Rússia, os professores são bem mais rígidos e formais, dificilmente você veria uma professora dando um beijo no rosto de uma criança. Aqui no Brasil, as professoras dão tanto carinho e amor para os nossos filhos que é algo realmente emocionante!”, diz Denis.

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A busca por uma casa que começou com uma bicicleta

Denis conta que achar moradia em Florianópolis foi um “perrengue“, como ele mesmo diz. A família se mudou em janeiro de 2024, época da alta temporada de férias, quando as praias estão lotadas. A quantidade de pessoas na Ilha, os preços altos, somada a falta do português, fez a tarefa de encontrar uma moradia ser ainda maior:

“Como meu português ainda era muito básico na época, decidi resolver no ‘modo raiz’: peguei uma bicicleta e saí pedalando por todas as ruas do Campeche! Eu decorei algumas frases em português e ia perguntando de casa em casa”.

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Foi assim que Denis encontrou a primeira casa onde se instalaram pelos primeiros meses na Ilha. Por indicação da dona, a família encontrou um outro local onde se estabeleceram e vivem há dois anos.

Denis fala da ironia de como chegou ao Brasil e como está hoje, dois anos depois:

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“Hoje eu sou corretor de imóveis credenciado aqui em Floripa! Já trabalho há mais de um ano no mercado imobiliário, ajudando inclusive muitas famílias de estrangeiros a se mudarem e encontrarem seu lar com segurança, mas comecei procurando casa de bicicleta sem falar quase nada de português, é uma loucura”, diz.

Não falo português, e agora?

O principal idioma falado na Sibéria é o russo, enquanto na Turquia é o turco, ambos com alfabetos e fonéticas diferentes ao abecedário latino usado no português.

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Quando se mudaram para a Ilha de Santa Catarina, ninguém da família de Denis falava o português, o que dificultou a adaptação nos primeiros meses. Entretanto, isso não impediu a família de construir um lar: Denis podia não conhecer o português, mas aprender a língua não seria um problema.

Além do russo, do turco e um pouco de inglês que havia aprendido na época da escola, o siberiano também já havia estudado italiano em Moscou e sabia como poderia acrescentar um quinto idioma à lista.

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“Para mim, aprender um idioma é como tentar subir correndo uma montanha de gelo: se você para no meio do caminho, você escorrega de volta para a base! Por isso, para criar uma base sólida, no começo precisa de muito foco”, conta.

Eles tentaram de tudo para aprender: baixaram aplicativos de idiomas, buscaram livros e filmes, se inscreveram em cursos de português. Denis conta que até aprendeu músicas brasileiras no violão.

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No entanto, ele realmente só aprendeu o português com a socialização. Ao entrar para uma empresa imobiliária da região onde mora, passou a conviver com pessoas de diversas regiões do Brasil e, a partir dali, aprendeu gírias, frases e descobriu como perder o sotaque “gringo”.

“Foi essa imersão total que me fez virar a chave. Inclusive, fiz a prova do Celpe-Bras e consegui a certificação de nível Avançado”, conta.

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O documento mencionado é o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), único certificado oficial do governo brasileiro para comprovar a proficiência em língua portuguesa por estrangeiros. A prova é realizada semestralmente e pode ser aplicada no Brasil e no exterior.

Vendo o mundo por outro ângulo

Quando se faz uma viagem para uma outra região, é sempre interessante observar as diferenças culturais e estar aberto para as mudanças. Vindo do outro lado do mundo, Denis e sua família aprenderam isso na prática.

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Além do carinho e recepção dos profissionais nas escolas, já mencionados, o siberiano teve alguns outros choques culturais que achou engraçado:

“O primeiro grande choque pra mim foi o estilo de vestir na Ilha durante o inverno. Ver a galera de chinelo de dedo, bermuda e uma jaqueta bem quente por cima! É o visual oficial de Floripa e hoje eu acho bom demais! O segundo é ver brasileiro tomando cerveja totalmente gelada mesmo num dia frio de Vento Sul! Isso pra mim é uma arte “.

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Mas algumas coisas são mais difíceis de se acostumar do que outras:

“O que ainda estou me adaptando é com o ‘jeitinho relaxado’ do tempo por aqui. O ‘estou chegando’ do brasileiro às vezes significa que só vão começar a se arrumar daqui a meia hora”, brinca Denis.