Egito constrói “novo Nilo” de água tratada por 300 quilômetros para transformar parte do deserto em fazendas

Sistema combina canais, túneis e estações de bombeamento para ampliar a agricultura do Egito em uma área equivalente a 9.240 quilômetros quadrados

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Apesar do nome de divulgação, a obra não se trata de um novo rio artificial (Foto: NASA Johnson Space Center / Wikimedia Commons)

O Egito inaugurou uma das maiores obras de reúso de água do mundo para transformar parte do deserto a oeste do Rio Nilo em uma nova região agrícola. Conhecido como Novo Delta, o projeto pretende irrigar cerca de 9.240 km².

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O plano busca ampliar a produção de alimentos em um país que concentra a maior parte de sua população, suas cidades e suas áreas cultiváveis em uma faixa estreita ao redor do Nilo.

Como funciona o “novo Nilo” construído no deserto

O sistema recolhe água de drenagem que já passou por plantações no antigo Delta do Nilo. Em vez de seguir para o Mar Mediterrâneo, esse volume é direcionado a uma estação onde recebe tratamento antes de voltar à agricultura.

A água percorre duas rotas principais, chamadas de Norte e Leste. Cada uma tem aproximadamente 150 quilômetros, o que cria uma rede de transporte hídrico com cerca de 300 quilômetros de extensão.

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As lavouras estão em uma área mais elevada, a água precisa avançar contra a inclinação natural do terreno. Para vencer essa diferença, o projeto utiliza 19 grandes estações de bombeamento.

Parte do trajeto passa por estruturas fechadas ou subterrâneas. A solução reduz o contato direto com o calor, importante em uma região onde a evaporação pode consumir parte da água antes que ela alcance os campos.

No centro da obra está a Estação de Tratamento de Água do Novo Delta, instalada na região de El Hammam. O complexo tem capacidade para processar 7,5 milhões de metros cúbicos por dia.

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Essa estratégia permite aproveitar um recurso que seria descartado. Ao mesmo tempo, o reúso reduz a necessidade de retirar água limpa diretamente do Rio Nilo para cada novo hectare cultivado.

Por que o Egito tenta levar agricultura ao deserto

O território egípcio é predominantemente árido. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o país depende do Nilo para aproximadamente 97% de suas necessidades de água.

Essa concentração torna a agricultura vulnerável ao crescimento populacional, à urbanização, às mudanças climáticas e às variações no fluxo do rio. Há poucas alternativas naturais de água doce disponíveis dentro do território egípcio.

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A expansão das cidades ocupa áreas férteis próximas ao Nilo. Levar a produção ao deserto permitiria preservar parte dessas terras, criar novos polos agrícolas e reduzir a concentração econômica no vale do rio.

O governo egípcio pretende cultivar 2,2 milhões de feddans, unidade de área usada no país. Cada feddan corresponde a cerca de 4.200 metros quadrados, levando o projeto a aproximadamente 9.240 km².

A estratégia oficial não prevê plantar os mesmos produtos em todas as regiões. Solos argilosos do vale continuariam concentrando trigo e milho, enquanto as novas terras poderiam receber cultivos mais adaptados ao deserto, como beterraba-açucareira.

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