A Sphere é um dos investimentos turísticos mais faraônicos projetados na modernidade, uma esfera de telas de LED com dezenas de metros, capaz de ser vista a quilômetros de distância. E o fenômeno que começou em Las Vegas, parece estar se espalhando.
Agora, o formato começa a sair de Nevada. Abu Dhabi prepara uma unidade para 20 mil pessoas, enquanto o estado norte-americano de Maryland negocia uma versão menor perto de Washington.
Cartões-postais esféricos pelo mundo
A expansão acompanha a aposta em atrações turísticas monumentais, usadas para ampliar a visibilidade e redesenhar a imagem dos destinos.
Como funciona a Sphere de Las Vegas
Inaugurada em setembro de 2023, a Sphere mede aproximadamente 112 metros de altura por 157 metros de largura. A estrutura pode receber 18,6 mil pessoas sentadas e é uma construção única para uma cidade tão singular quanto Vegas.
A parte mais conhecida é a Exosphere, fachada coberta por painéis de LED que são limitados apenas pela criatividade dos seus operadores. A construção pode assumir as mais diversas facetas desde animações, memes, emojis ou publicidade.
Por dentro, uma tela de resolução 16K por 16K envolve grande parte da plateia. O sistema combina imagens, som direcionado, assentos com resposta tátil e efeitos ambientais, como vento e mudanças de temperatura

Por que outras cidades querem uma Sphere?
Uma Sphere chama atenção mesmo quando não recebe um evento. Seu formato incomum e a fachada digital produzem imagens que circulam em fotografias, transmissões esportivas, notícias e redes sociais, mantendo a cidade em exposição.
Um estudo publicado na revista científica The Annals of Regional Science analisou justamente essa relação entre arquitetura icônica, exposição na imprensa e turismo, usando o Museu Guggenheim de Bilbao como caso.

Entre 2008 e 2010, o modelo atribuiu à visibilidade do Guggenheim na imprensa entre 36% e 40% dos visitantes nacionais hospedados na cidade, além de uma parcela de 22% a 25% entre os estrangeiros.
A explicação dos pesquisadores é que o prédio físico não pode ser reproduzido, mas sua imagem pode circular indefinidamente. Cada fotografia, reportagem ou vídeo reforça associações entre Bilbao, inovação, cultura e arquitetura, convertendo atenção em interesse turístico.

Como as Spheres se pagam?
A expansão para outras cidades levanta uma questão, como esse projeto se paga no fim das contas? A construção de cada unidade levanta fundos bilionários e seu custeamento no longo prazo deve ser considerado antes de novas implementações.
Segundo a empresa responsável, as principais fontes de renda são:
- experiências audiovisuais produzidas para exibição recorrente;
- residências de artistas, com vários shows no mesmo espaço;
- publicidade exibida na fachada digital da arena.
Esse formato permite reapresentar uma produção centenas de vezes. Em junho de 2026, The Wizard of Oz at Sphere superou três milhões de ingressos vendidos e US$ 400 milhões em bilheteria.

Segundo a Sphere Entertainment, durante todo o ano fiscal de 2025, houve uma arrecadação de US$ 1,22 bilhão. Esse faturamento envolve todos os nichos da empresa, inclusive aqueles alheios à Sphere, como as redes esportivas MSG Networks.
Somente o segmento Sphere faturou US$ 781,4 milhões naquele ano. Apesar disso, registrou perda operacional contábil de US$ 268,2 milhões, considerando despesas como depreciação e amortização.

Abu Dhabi terá a primeira unidade internacional
O projeto mais avançado fora dos Estados Unidos ficará em Yas Island, polo turístico de Abu Dhabi que já reúne parques temáticos, hotéis e o circuito usado pelo Grande Prêmio de Fórmula 1.

A conclusão está prevista para o fim de 2029. Diferentemente do projeto original, o governo local financiará a obra, enquanto a Sphere Entertainment fornecerá tecnologia, projeto e infraestrutura para os conteúdos.
Versão menor em Washington D.C.
National Harbor, em Maryland, foi escolhida para receber a primeira Sphere em escala reduzida. A proposta prevê seis mil assentos, mantendo a fachada de LED, a tela interna 16K e os efeitos sensoriais.
O plano combina recursos privados com aproximadamente US$ 200 milhões em incentivos estaduais e locais. No entanto, a construção ainda depende de acordos definitivos e aprovações governamentais.
A unidade menor testa uma ideia essencial para a expansão: oferecer diferentes tamanhos do mesmo produto. Assim, a empresa poderia adaptar o projeto ao mercado, ao terreno e ao volume turístico de cada região.







