Antes de transformar o banho de milhões de brasileiros, Roberto Zagonel precisou enxergar além do que já existia. Em 1995, quando os chuveiros elétricos ofereciam poucas possibilidades de ajuste de temperatura, o empresário, à frente da Zagonel, em Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, acreditou que aquele produto tão comum nas casas brasileiras poderia ser reinventado.
A aposta resultou no desenvolvimento do primeiro chuveiro eletrônico do Brasil e do mundo, uma tecnologia que permitiu ao consumidor controlar gradualmente a temperatura da água sem precisar desligar o aparelho. Mais do que lançar um novo produto, Roberto ajudou a inaugurar uma nova categoria no mercado e consolidou a Zagonel como uma empresa ligada à inovação.
A trajetória começou com uma inquietação simples: por que aceitar como definitiva uma tecnologia que poderia ser melhor?
“Não aceitávamos que aquilo que existia fosse uma verdade absoluta. Queríamos facilitar a vida das pessoas, oferecer mais conforto, mais economia e valorizar um dos momentos mais importantes do dia: o banho.”

A visão de quem decidiu desafiar o que já existia
A ideia parecia simples, mas transformá-la em realidade estava longe de ser fácil. Na década de 1990, desenvolver uma tecnologia inédita no Oeste catarinense significava enfrentar limitações de fornecedores, mão de obra especializada e infraestrutura industrial.
Roberto precisou buscar parceiros em diferentes cidades e estados. Havia dificuldade até mesmo para encontrar empresas capazes de produzir moldes para injeção plástica. Escritórios de patentes eram localizados por meio de catálogos telefônicos e profissionais especializados em determinadas áreas da engenharia eram raros.
O cenário, porém, não fez o empresário desistir. Pelo contrário: a necessidade de encontrar soluções para cada obstáculo ajudou a construir uma característica que permanece na empresa até hoje — a busca permanente por aperfeiçoamento.
O primeiro modelo lançado pela Zagonel também passou por melhorias. A experiência mostrou que uma ideia inovadora precisava continuar evoluindo depois de chegar ao mercado.
“O primeiro chuveiro cumpria sua função, mas precisava evoluir. Cada ajuste nos ensinou o que significa fabricar produtos para todo o Brasil. Foi assim que construímos uma cultura de melhoria contínua”, relembra Roberto.
Do Oeste para o Brasil
A visão empreendedora de Roberto Zagonel não surgiu por acaso. A história da empresa está diretamente relacionada ao ambiente de trabalho e inovação característico do Oeste catarinense.
Antes de fabricar chuveiros, a Zagonel atuava com assistência técnica para indústrias e produtores rurais. Na sequência, passou a produzir equipamentos destinados à eletrificação rural. Foi nesse processo, diante de problemas que precisavam ser resolvidos na prática, que a empresa desenvolveu a cultura que posteriormente levaria à criação do chuveiro eletrônico.
Para Roberto, a capacidade de inovar está ligada justamente à identidade da região onde a empresa nasceu.
“O Oeste é formado por pessoas acostumadas a resolver problemas, trabalhar duro e pensar diferente. Esse espírito empreendedor faz parte da nossa história e explica muito do que conseguimos construir”, afirma.
A prova de que uma ideia havia mudado o mercado
O reconhecimento de que a criação havia provocado uma mudança no comportamento do consumidor apareceu de uma maneira significativa: quem experimentava a ducha eletrônica não queria voltar aos modelos convencionais.
Mesmo nos primeiros anos, quando o produto ainda passava por aperfeiçoamentos, a fidelidade dos consumidores indicava que a Zagonel havia encontrado uma solução para uma necessidade real.
O reconhecimento nacional da empresa como referência em inovação reforçou essa percepção. Mas, para Roberto, a dimensão da trajetória vai muito além dos resultados comerciais.
A Zagonel cresceu junto com seus colaboradores e suas famílias e passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Um dos aspectos que mais emociona o empresário é saber que as duchas da marca estão presentes até em momentos extremamente simbólicos da vida.
“Crescemos junto com milhares de colaboradores e suas famílias. E existe um fato que sempre nos emociona: nossas duchas são utilizadas no primeiro banho de muitos bebês em hospitais. Saber que fazemos parte da vida de tantas pessoas é motivo de muito orgulho”, salienta.
Um visionário que não parou no primeiro invento
Se em 1995 Roberto Zagonel enxergou uma oportunidade onde outros viam apenas um chuveiro elétrico convencional, a mesma mentalidade continuou conduzindo a empresa nas décadas seguintes.
Depois do primeiro chuveiro eletrônico, a Zagonel avançou para sistemas microprocessados de controle de temperatura, torneiras eletrônicas, modelos com acionamento por toque e, mais recentemente, duchas híbridas inteligentes com controle por aplicativo.
A tecnologia passou a permitir recursos como monitoramento do consumo de água e energia, programação da temperatura e do tempo de banho e até ferramentas de controle parental.
A evolução revela que a inovação, para Roberto, não foi um episódio isolado de 1995, mas uma estratégia permanente.
E o empresário garante que a história ainda está longe de terminar.
“O futuro já começou. Estamos desenvolvendo um novo conceito de funcionamento que vai transformar novamente a forma como conhecemos as duchas eletrônicas nos próximos anos”, adianta.



