Idosa sequestrada e abandonada em ribanceira foi alvo de especialista em golpe do Don Juan em SC

Crime aconteceu em 7 de julho em São José, porém homem foi preso em Joinville e mulher resgatada em Gaspar um dia depois

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Momento em que a mulher recebeu atendimento após ser resgatada em Gaspar (Foto: Polícia Civil, Divulgação)

A investigação que apurou o sequestro de uma idosa em Santa Catarina descobriu que o suspeito do crime era especialista no golpe do Don Juan. O caso aconteceu no início de julho, quando a mulher de 71 anos foi sequestrada em São José e abandonada em uma ribanceira de Gaspar. O homem foi encontrado e preso em Joinville. A Polícia Civil indiciou o suspeito e o Ministério Público já o denunciou à Justiça pelos crimes de roubo e sequestro.

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O delegado Murilo Batalha, que conduziu as investigações, revelou que o suspeito confessou em depoimento que aplicava o golpe do Don Juan, também conhecido como golpe do amor, há pelo menos 15 anos. Ele era uma espécie de especialista em furto, roubo e estelionato contra idosos, conforme informações do próprio acusado à polícia.

Fotos do momento que idosa foi encontrada após ser sequestrada em SC

Como o “Don Juan” conheceu a idosa sequestrada em SC

Tudo começou quando o funcionário de um “bailão” em São José, na Grande Florianópolis, informou ao investigado que uma idosa de 71 anos comparecia com frequência ao estabelecimento. Também disse que ela teria uma grande quantidade de dinheiro e até um carro.

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A partir disso, o homem começou a frequentar o clube por volta de três semanas até que, na segunda-feira, dia 6 de julho deste ano, a mulher alvo do golpe compareceu ao local

“No dia em que ela compareceu ele se aproximou dela, manteve um primeiro contato, se apresentou como um integrante da banda musical que estava tocando no clube naquele dia, mas era mentira, e começou a conversar com ela. Ele chamou ela para jantar, para dançar e aí fez um vínculo com ela” conta o delegado Batalha.

Após fazer amizade com a vítima, o homem marcou de se encontrar com ela no dia seguinte, 7 de julho, para passear pelo Litoral catarinense. Eles teriam ido, inclusive, para Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema, Piçarras, Penha, Navegantes e Barra Velha.

Viagem entre amigos teve reviravolta e homem anunciou o sequestro

Durante o passeio, a idosa teria dito ao acusado que queria ir embora, momento em que ele anunciou o sequestro. A mulher teve a boca colada com fita, os pés e as mãos amarradas, foi colocada no porta-malas do veículo e levada até Gaspar, onde foi abandonada em uma ribanceira. Em seguida, ele fugiu para Joinville.

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O crime mobilizou uma operação de resgate que durou até o dia seguinte, quarta-feira, dia 8 de julho, quando o veículo foi encontrado e o suspeito preso. “A gente também não sabe se ele inventou essa motivação porque como ele já pratica crimes dessa natureza há muitos anos, mas a motivação que ele deu foi a de que ele estaria devendo dinheiro para uma facção criminosa e precisava de dinheiro. Como ele sabia que essa senhora tinha dinheiro e veículos de luxo, ele se aproximou dela para tentar conseguir esses recursos” explicou o delegado sobre o que teria motivado o sequestro. 

No mesmo dia da prisão, os policiais conseguiram localizar o paradeiro da idosa. Ela estava em uma ribanceira de 200 metros em mata fechada. De acordo com Batalha, foram quatro horas de buscas caminhando pela na floresta e chamando pela vítima. Após esse período, ela começou a responder aos chamados e por meio dos gritos os agentes conseguiram a encontrar.  

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No momento do resgate, a idosa já conseguiu dar algumas informações aos policiais. “Ela nos disse que em determinado momento ele anunciou esse sequestro e roubo, que teria colocado então uma fita na boca dela, amarrado as mãos e os pés e falou que ela ficaria no mato para que ele pudesse fazer a empreitada criminosa. Segundo ela, ele não chegou a agredi-la fisicamente, mas, o próprio Corpo de Bombeiros informou para nós que certamente ela morreria em mais um dia, que ela não aguentaria na mata” revelou  o delegado. 

O homem foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de roubo e sequestro. Após a Justiça aceitar a denúncia, ele passa a ser réu em um processo penal.