O cenário urbano de Florianópolis passou por transformações ao longo dos últimos anos. Imagens de satélite do Google Earth revelam as alterações motivadas pelo avanço das ocupações irregulares na Capital.
No fim da Rua Transcaeira, entre os bairros Saco dos Limões e Serrinha, o crescimento das ocupações fez com que a vegetação nativa fosse substituída por construções. Em 2010, a estrada ainda era de terra e não tinha nenhuma casa.
Porém, com o passar do tempo, uma nova comunidade se formou. Atualmente, as áreas verdes praticamente desapareceram. Muitas das moradias foram feitas sem autorização e vendidas irregularmente.
FOTOS: Ocupações irregulares transformam cenário de Florianópolis
Stephani Gaeta Sanches, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio do Meio Ambiente, aponta que a ocupação desenfreada traz várias consequências. Entre elas, o aumento no trânsito e a dificuldade de atendimento de serviços públicos, como coleta de lixo e segurança, visto que, em algumas ruas, o acesso de grandes veículos não é possível.
A ocupação irregular do solo prejudica a sociedade como um todo. Prejudica a drenagem de áreas sensíveis, a biodiversidade e pode colocar a própria segurança das pessoas que ocupam essas áreas em risco, na medida em que muitas dessas áreas são encostas, sujeitas a inundações.
Na Transcaeira, a ocupação se transformou na Comunidade Marielle Franco. Para atender a demanda que surgiu, uma creche foi construída e um conjunto habitacional está em obras. Serão 186 moradias, que devem atender algumas das pessoas que hoje vivem em casas improvisadas
“O que mais me impressiona é a afronta com o poder público. Tem lugares que fomos, lacramos e derrubamos, mas foram lá e começaram de novo”, afirma Maryanne Mattos (PL), vice-prefeita e secretária de Segurança Pública.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 160 mil pessoas vieram para Florianópolis nos últimos 10 anos. A migração, contudo, trouxe consequências: as ocupações irregulares subiram encostas e surgiram em áreas alagadiças.
Um levantamento do portal Natureza On apontou que, em Florianópolis, são mais de 50 hectares, equivalente a cerca de 50 campos de futebol, de áreas urbanas com risco alto ou muito alto para deslizamento de terra. Segundo a Prefeitura de Florianópolis, existem mais de mil construções em áreas de risco na cidade.
O cenário se estende além dos morros e encostas, chegando às regiões de praia, como o Campeche, por exemplo. O bairro aparece como 2º com mais construções irregulares, com 71,80% dos imóveis. São João do Rio Vermelho lidera, com 81,84%.
“Se pegarmos o histórico de Florianópolis, boa parte da ocupação de alguns bairros, de classe média ou até mesmo de alta renda, eles também estão fora da legislação por algum motivo”, detalha Samuel Steiner dos Santos, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).











