Por que o Brasil celebra o Dia dos Pais em agosto enquanto boa parte do mundo escolhe o mês de junho?

Da lembrança de um pai viúvo a uma campanha de jornal, a data percorreu caminhos diferentes até chegar ao calendário brasileiro

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Celebrado em 9 de agosto de 2026, o Dia dos Pais mistura afeto familiar, tradição religiosa e uma antiga estratégia comercial. (Foto: Sebastián Martínez / Wikimedia Commons / Imagem Editada)

Celebrado em 9 de agosto de 2026, o Dia dos Pais mistura afeto familiar, tradição religiosa e uma antiga estratégia comercial. (Foto: Sebastián Martínez / Wikimedia Commons / Imagem Editada)

Neste domingo, 9 de agosto de 2026, cafés da manhã serão servidos mais cedo, mensagens atravessarão grupos de família e presentes mudarão de mãos. No Brasil, o Dia dos Pais parece antigo, mas sua história foi construída aos poucos.

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A data não nasceu de um único decreto nem de uma tradição universal. Há duas histórias importantes nos Estados Unidos, ambas no começo do século 20, quando o Dia das Mães já inspirava homenagens públicas.

A primeira ocorreu em 5 de julho de 1908, numa igreja da Virgínia Ocidental. Grace Golden Clayton sugeriu um culto em memória dos homens mortos no desastre da mina de Monongah, que deixara centenas de famílias sem seus pais.

Uma filha insistente

Um ano depois, em Spokane, no estado de Washington, Sonora Smart Dodd ouviu um sermão sobre o Dia das Mães e pensou no próprio pai. William Jackson Smart ficara viúvo e criara seis filhos. Para ela, aquele esforço também merecia uma data.

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Sonora procurou pastores, comerciantes, autoridades e a YMCA para defender a ideia. A mobilização deu resultado: o estado de Washington realizou a primeira celebração oficial em 19 de junho de 1910.

A homenagem ainda levou décadas para se firmar nacionalmente. Presidentes apoiaram a celebração em momentos diferentes, mas a definição legal chegou em 1972.

Mesmo com a influência dos Estados Unidos, o calendário nunca se tornou igual no mundo inteiro. Portugal, Espanha e Itália ligam a homenagem a São José, em 19 de março. Austrália e Nova Zelândia preferem setembro. O Brasil seguiu um caminho próprio.

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Caminho brasileiro

Por aqui, a primeira celebração ocorreu em 16 de agosto de 1953. A iniciativa partiu do publicitário Sylvio Bhering, então diretor do O Globo e da Rádio Globo, que transformou a homenagem em uma campanha para aproximar famílias e movimentar o comércio.

“Será a primeira vez e não será a última”, anunciava a chamada publicada na primeira página de O Globo em 15 de agosto de 1953. A aposta se confirmou: a comemoração passou para todo segundo domingo de agosto.

Após a reforma do calendário litúrgico de 1969, a Igreja fixou a memória conjunta de São Joaquim e Sant’Ana em 26 de julho.

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Assim, a data brasileira reuniu referências diferentes. Herdou dos Estados Unidos a ideia de reservar um domingo aos pais, ganhou um ponto de apoio religioso e se consolidou por uma campanha de comunicação numa época em que jornais e rádios organizavam o cotidiano urbano.