O candidato a presidente Renan Santos (Missão) defendeu um plano de enfrentamento à criminalidade e a desfavelização de áreas urbanas sob domínio do crime organizado no Brasil. As afirmações ocorreram na primeira entrevista da série de sabatinas de presidenciáveis do programa Estúdio i, da Globonews, na tarde desta quarta-feira (5).
Durante uma hora e meia, o candidato respondeu a perguntas sobre o plano de governo e polêmicas envolvendo o seu nome. Nas primeiras perguntas, Renan comentou a declaração dada no evento de lançamento da candidatura dele nas Eleições 2026, no fim de semana, em que afirmou que “ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”.
Ele definiu a declaração como um “recado político” de intenção de enfrentamento ao crime caso seja eleito presidente. Afirmou que em um eventual governo dele criminosos poderão ser mortos se resistirem a abordagens, mas negou que a declaração possa estimular abusos por parte de forças policiais.
Renan Santos rechaçou comparações ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que implantou um modelo com supressão de direitos e prisões sem mandado para tentar reduzir a criminalidade no país: “não sou o Bukele, sou brasileiro, meu nome é Renan Santos”.
Quem são os candidatos a presidente nas Eleições 2026
Apesar disso, defendeu instrumentos como decretos de estado de defesa para regiões com atuação da criminalidade e de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) como formas de combater o crime.
“O poder Executivo tem que ser capaz novamente de executar coisas. As pessoas em El Salvador não tinham mais autoestima, não conseguiam andar nas ruas, e ele [Bukele] teve um approach, uma vontade de ação que ele conseguiu realizar e concretizar uma mudança. Eu respeito isso, mas o Brasil não é El Salvador. Eu não vou concordar com tudo que ele faz. (…) Os mecanismos de enfrentamento serão outros, mas a vontade de agir para resolver esses problemas tem que ser a mesma”, afirmou.
Antissistema e Centrão
Logo na abertura da entrevista, Renan Santos respondeu se pretenderia negociar com líderes do Centrão caso seja eleito, apesar de chamá-los de “parasitas” em entrevistas e transmissões ao vivo e de se apresentar como um candidato “antissistema”. O candidato afirmou que pretende negociar com a classe política para implantar medidas, que envolvem até uma reforma da Constituição.
“Há o momento de chamá-los (membros do Centrão) de parasita e há o momento de chamar o parasita para a mesa, e ele me chamar de irresponsável e o que ele quiser chamar, e colocarmos as diferenças e a gente começar a tratar dos projetos. Acho que a função da democracia é justamente essa”, afirmou.
Renan Santos também explicou como pretende “desfavelizar” áreas vulneráveis sujeitas ao domínio de facções criminosas, detalhando proposta que prevê realocação de famílias e estímulo a investimentos públicos e privados nas favelas.
O candidato da Missão também comentou vídeos em que aparece afirmando “ser machista” e a ausência de mulher entre os militantes da Missão. O candidato definiu como uma “provocação” ao entrevistado do vídeo a fala sobre o machismo e que buscava defender a “presença da figura masculina” nas famílias.
Vice e 8 de janeiro
Renan Santos também voltou a admitir que os ataques de 8 de janeiro em Brasília representaram uma tentativa de golpe de Estado e falou sobre a situação do vice, Aroldo Medina. Ex-apoiador de Jair Bolsonaro, Medina chegou a comparecer à frente de quartéis após as eleições de 2022, mas depois se distanciou do posicionamento político do ex-presidente.
O candidato à Presidência afirmou que o vice pode ser uma “porta de saída” para bolsonaristas que acreditaram em desinformação e se arrependeram do apoio a Bolsonaro, além de ajudá-lo a alcançar eleitores mais velhos.
“É uma porta aberta para outras pessoas da geração dele, especialmente pessoas 60+ que acreditavam naqueles sites de notícias esquisitas, canais de YouTube que defendiam que a urna tinha sido fraudada. Ele é uma porta de saída para essas pessoas, e acho isso importante. O Aroldo é essa pessoa que fez essa transição de alguém que estava nesse ‘torpor’ e que viu ‘eu estava errado’. Esse reconhecimento arrasta. Essa pessoa que acreditou nisso não é um criminoso”, afirmou, admitindo o desafio de alcançar eleitores mais velhos.
Lei de Responsabilidade Gerencial e fusão de municípios
Renan Santos também defendeu a criação de uma Lei de Responsabilidade Gerencial, semelhante à Lei de Responsabilidade Fiscal do governo Fernando Henrique Cardoso, mas que crie metas de desempenho para prefeituras pelo país. A intenção é fazer com que municípios que não alcancem essas metas possam ser responsabilizados, inclusive com inelegibilidade, e que prefeitos que alcancem possam ter acesso a mais emendas parlamentares e recursos de Fundo Partidário.
Na esteira disso, ele também defendeu a fusão de municípios brasileiros. Em seu plano de governo, ele defende a redução de 5,5 mil municípios para cerca de 1,6 mil, e afirmou que os moradores dessas cidades apoiariam a incorporação.
“Todas as cidades minúsculas que rodei ao redor do Brasil, que não são funcionais, aquela cidade que [é] apenas um cabide de nove vereadores e um prefeito inútil, que não melhora o desempenho e a vida das pessoas, e que a pessoa está pagando aquele preço, a pessoa é a primeira a achar esse projeto racional. Aí é tarefa do presidente da República de fazer o convencimento nacional”, afirmou.
Na parte final da entrevista, Renan Santos defendeu o fim do sistema de cotas em universidades e mudanças no Pacto Federativo, com diminuição de recursos repassados a estados do Nordeste.











