Com robô mergulhador, trio de pesquisadores de SC vai explorar uma das regiões mais desconhecidas do Atlântico

Expedição é liderada pelo professor Angel Perez, da Univali de Itajaí

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Trio de pesquisadores da Univali se unem a robô submarino em expedição que vai investigar as profundezas do Atlântico (Foto: Dales Hoeckesfeld, Univali, Schmidt Ocean Institute)

Mais de 99,9% do fundo do Oceano Atlântico nunca foi explorado e, para desvendar os mistérios desse universo praticamente desconhecido, três pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), de Itajaí, vão embarcar em uma expedição internacional de 42 dias a bordo de um navio de pesquisa rumo à África. Batizada de “The Gap”, a missão conta com a ajuda do robô submarino SuBastian, capaz de alcançar até 4,5 mil metros de profundidade para registrar imagens e coletar amostras do fundo do mar.

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A missão deve partir de Fortaleza, no Ceará, no dia 15 de setembro. A viagem segue até Tema, em Gana, um país da África Ocidental, com chegada prevista para o fim do mês de outubro. O grupo da Univali é formado pelo professor Angel Perez, que atuará como cientista-chefe da expedição, além dos oceanógrafos e técnicos de laboratório Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto. Ao todo, a iniciativa reúne 25 pesquisadores de cinco países para explorar a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina localizada entre o Brasil e a África.

Apesar da dimensão do oceano, boa parte desse ambiente ainda permanece um mistério para a ciência. Segundo o professor Angel Perez, deixando de lado os continentes e a parte mais rasa do oceano, todo o restante é considerado mar profundo.

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“Excluindo os continentes e a parte mais rasa do oceano, que fica submersa, todo o restante é considerado mar profundo. Ao somarmos toda a área percorrida por ROVs (robôs submarinos) no fundo do oceano até hoje, isso equivaleria a cerca de 0,01% desta superfície. Ou seja, mais de 99,9% desse ambiente ainda não foi explorado. E o mais interessante é que esse 0,01% que já conhecemos revelou uma enorme quantidade de descobertas”, destaca o professor Angel Perez.

A Zona de Fratura Romanche

A Zona de Fratura Romanche, destino da expedição e objeto de estudo da missão, é uma formação submarina com aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por montanhas e vales no fundo do mar. Localizada ao longo da Linha do Equador, a área fica praticamente no meio do caminho entre a costa do Nordeste brasileiro e o litoral africano.

De acordo com os pesquisadores, a área ainda não foi estudada com o auxílio das tecnologias modernas disponíveis atualmente. E é justamente para suprir essa demanda, que a missão entra em ação, o time irá produzir um mapeamento em alta resolução da região, analisar a coluna d’água, os habitats marinhos e a também a biodiversidade existente nas profundezas do Atlântico.

Uma ajuda especial vai entrar em ação para concluir essa etapa da missão: o robô submarino SuBastian. Ele será responsável por realizar mergulhos de mais de quatro mil metros de profundidade, registrar imagens em alta definição e coletar amostras que irão servir de base para pesquisas futuras. Segundo a equipe, todo o material obtido durante a expedição será disponibilizado ao público.

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De acordo com o professor Perez, a área que será investigada está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. “Acredita-se que essa característica chegue ao fundo, sustentando importantes comunidades que, por sua vez, possam demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas”, explica.

Expedição será transmitida ao vivo

Para os apaixonados por descobertas científicas ou curiosos de plantão, a expedição também poderá ser acompanhada pelo público. Os mergulhos do SuBastian serão transmitidos ao vivo, com narração em português e inglês, diretamente do fundo do oceano. Cada transmissão terá uma duração aproximada de oito horas e poderá ser assistida gratuitamente no canal oficial da Schmidt Ocean Institute no YouTube.

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Legado na ciência

Conforme informações da Univali, a universidade participa de expedições marítimas desde 2009, por meio do Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo). Desde então, pesquisadores da universidade já integraram missões em 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.

Para o professor Angel Perez, que já participou de outras viagens, essas expedições deixam um legado para a preservação do Oceano Atlântico ao ampliar o conhecimento científico sobre o mar profundo, que representa cerca de 70% da superfície do planeta.

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Segundo o pesquisador, apesar de toda a área já percorrida por robôs submarinos corresponder a apenas uma pequena parcela do mar profundo, o percentual já revelou inúmeras descobertas. “É por isso que não é exagero afirmar que o mar profundo é o lugar da Terra onde estão as maiores surpresas”, conclui Angel.

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