Escolas públicas com nota 10 no Ideb 2025 revelam o que fazem diferente na sala de aula

Avaliações frequentes, formação de professores, reforço para quem ficou para trás e participação das famílias ajudam a explicar por que Ceará e Alagoas concentram todas as escolas com nota máxima

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Número de escolas municipais com Ideb 10 mais que triplicou em dois anos (Foto: Pillar Pedreira / Agência Senado)

Número de escolas municipais com Ideb 10 mais que triplicou em dois anos (Foto: Pillar Pedreira / Agência Senado)

Uma escola pequena do interior, distante dos grandes centros e mantida pela prefeitura, pode alcançar um resultado educacional que parece reservado às instituições mais caras do país. No resultado do Ideb 2025, essa realidade se repetiu em 77 escolas públicas brasileiras.

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Todas as unidades que chegaram à nota máxima ficam no Nordeste. São 51 escolas municipais do Ceará e 26 de Alagoas, avaliadas nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2023, apenas 21 instituições haviam alcançado o mesmo resultado.

Prova não chega como surpresa

Uma das características mais presentes nas redes líderes é a realização de avaliações diagnósticas ao longo do ano. Elas não servem apenas para dar uma nota, mas para revelar quais crianças já dominam uma habilidade e quais precisam de outra abordagem.

Em Sobral, uma avaliação municipal aplicada a 24.776 estudantes analisou alunos desde a educação infantil até o 9º ano. Nos dois primeiros anos do ensino fundamental, a leitura foi avaliada individualmente e gravada em áudio.

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Depois das provas, cada escola recebeu resultados separados por turma e por aluno. Assim, o professor não precisava esperar a divulgação do Ideb para descobrir que uma criança tinha dificuldade para interpretar um texto ou resolver uma operação matemática.

Esse acompanhamento muda a rotina. Em vez de revisar todo o conteúdo de forma igual para a turma inteira, a escola consegue organizar grupos, retomar habilidades específicas e oferecer atividades adicionais para quem ficou para trás.

Segundo uma análise do Banco Mundial sobre a experiência de Sobral, o objetivo não é treinar o aluno apenas para uma prova, mas impedir que uma dificuldade pequena se transforme em uma defasagem de vários anos.

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Professor também continua estudando

Outra diferença ocorre fora da sala de aula. As redes com melhores resultados tratam a formação continuada como parte da rotina de trabalho, e não como uma palestra eventual realizada no começo do ano.

Em janeiro de 2026, por exemplo, Sobral reuniu cerca de 180 professores, coordenadores pedagógicos e diretores para dois dias de estudos e atividades práticas. A formação foi concentrada em métodos de alfabetização e nas necessidades encontradas nas escolas.

Isso ajuda a reduzir uma situação comum nas redes de ensino: o professor recebe uma meta, mas não encontra material, tempo ou acompanhamento suficiente para transformar a orientação em uma aula concreta.

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Reforço começa antes da reprovação

Nas escolas com notas elevadas, o reforço não aparece apenas no fim do ano, quando o estudante já corre risco de reprovação. A intervenção acontece assim que as avaliações revelam uma dificuldade.

Coruripe já adotou laboratórios de aprendizagem para estudantes do 3º, 4º, 6º, 7º e 8º anos, com atividades de português e matemática. Para as turmas do 9º ano, criou um laboratório específico de preparação e recuperação de habilidades.

A estratégia também incluiu atendimento domiciliar para crianças dos primeiros anos e ampliação do tempo escolar para turmas do 5.º ano. As ações foram organizadas dentro de um pacto que reuniu corpo pedagógico e responsáveis para recuperar a aprendizagem após a pandemia.

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Em Sobral, os dados das avaliações são usados para definir quais estudantes precisam de materiais suplementares ou de recuperação. Dessa forma, duas crianças da mesma série podem receber apoios diferentes, de acordo com a habilidade que ainda não desenvolveram.

Nota 10 não significa escola perfeita

O Ideb reúne dois componentes. O primeiro é o desempenho dos estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio nas avaliações de português e matemática do Saeb.

O segundo é o fluxo escolar, calculado a partir das taxas de aprovação. Assim, a nota pode cair tanto quando os alunos aprendem pouco quanto quando há muita repetência. Também não basta aprovar todos os estudantes se os resultados de aprendizagem forem baixos.

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Pesquisadores ouvidos após a divulgação do Ideb 2025 alertaram ainda para um possível esgotamento da escala nos anos iniciais. Quando muitas redes chegam ao teto, o indicador perde parte da capacidade de mostrar diferenças e novos avanços entre elas.