A estratégia dos 100 mil teleatendimentos mensais pelo SUS para frear o vício em bets no Brasil

Atendimento gratuito pelo Meu SUS Digital cresce mais de 160 vezes reduzindo os impactos da ludopatia, do endividamento e do sofrimento mental

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Pessoas com vícios em bets poderão buscar ajuda psicológica gratuita pelo celular para enfrentar a dependência em apostas esportivas

Pessoas com vícios em bets poderão buscar ajuda psicológica gratuita pelo celular para enfrentar a dependência em apostas esportivas (Foto: Tima Miroshnichenko, Pexels)

O Sistema Único de Saúde (SUS) contará com 100 mil teleatendimentos por mês para apostadores de bets no Brasil. A ampliação da Rede de Saúde Mental teve início na última semana em todo o país, garantindo o apoio psicológico gratuito pelo sistema público. A medida acolhe brasileiros impactados pelo uso compulsivo de jogos e apostas eletrônicas.

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O serviço funciona de forma totalmente remota e sigilosa por meio do aplicativo Meu SUS Digital, atuando em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A medida representa um salto de escala sem precedentes na saúde digital do país, já que no lançamento da iniciativa, em março, eram disponibilizadas cerca de 600 consultas por mês.

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A expansão de mais de 160 vezes atende ao aumento exponencial de famílias em busca de socorro. O formato virtual elimina a necessidade de deslocamento inicial, contornando a vergonha ou o medo do julgamento social, dilemas recorrentes que impedem a vontade dos apostadores pelo tratamento presencial.

Funcionamento dos teleatendimentos mensais

Para utilizar o serviço, o usuário deve acessar o aplicativo Meu SUS Digital com credenciais da conta Gov.br, entrar na aba dedicada à saúde mental e responder a um autoteste preventivo que identifica os sinais de risco.

Quando a avaliação aponta a necessidade de acompanhamento, o cidadão é direcionado para a triagem da AgSUS, que gera o protocolo para o agendamento de videochamadas semanais com psicólogos e enfermeiros especializados. O ciclo inicial prevê até 10 sessões de 50 minutos.

A utilidade dos teleatendimentos para romper o silêncio da ludopatia foi destacada pela liderança do Ministério da Saúde. Ao defender o canal digital como porta de entrada para a SUS, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância do acolhimento sem exposição para quem aposta em bets.

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Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular.

Sinais de alerta no lar e suporte aos familiares

Os sintomas da dependência em apostas manifestam-se pela perda progressiva do controle sobre o impulso de jogar e pelo uso das apostas como válvula de escape para frustrações e estresse.

Os profissionais alertam para episódios de ansiedade na ausência do jogo, alterações repentinas no sono e humor, além do comprometimento de recursos essenciais do orçamento doméstico para tentar recuperar valores perdidos.

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Para respaldar a rede de apoio, o Ministério da Saúde lançou uma cartilha orientativa neste ano voltada a familiares, focada na identificação precoce dos riscos nas apostas antes que o endividamento atinja níveis críticos.

Caso as 10 sessões de teleatendimento não sejam suficientes para a recuperação dos apostadores, o paciente é encaminhado diretamente aos serviços presenciais da RAPS, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) distribuídos nos municípios.

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1 milhão de apostadores solicitaram a autoexclusão

A corrida pelo teleatendimento do SUS ocorre em paralelo às ações do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que já contabiliza mais de 1 milhão de solicitações de autoexclusão voluntária de CPFs na Plataforma Centralizada de Autoexclusão mantida pelo Ministério da Fazenda para impedir o acesso a sites autorizados, as bets.

O perfil dos pedidos revela o rastro de prejuízos: 35% dos usuários justificaram o bloqueio por perda total de controle sobre o jogo, enquanto 11,8% apontaram o comprometimento direto das finanças pessoais.

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O pico do endividamento familiar refletiu-se claramente nos grandes eventos esportivos recentes. Somente durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil brasileiros solicitaram o bloqueio voluntário do próprio CPF, volume que representou 38% de todas as autoexclusões já registradas no sistema nacional.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.