O Contorno Viário da Grande Florianópolis está subutilizado. Sem um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), caminhoneiros e outros motoristas evitam utilizar a rodovia de 50 quilômetros, inaugurada em 2024 após 12 anos de atraso.
Para agravar a situação, há trechos em que sequer existe sinal de telefonia celular.
Na prática, o Contorno virou uma “terra de ninguém”, aumentando a sensação de insegurança.
— Caminhoneiros e famílias preferem não passar por lá. Há, inclusive, empresas de transporte que proíbem seus motoristas de utilizarem a rodovia. Virou “terra de ninguém” — afirmou o vice-presidente de Relações Institucionais da Aemflo/CDL São José, Laércio Domingos Tabalipa, em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da CBN Floripa.
Veja fotos do Contorno Viário:
O Contorno Viário foi construído justamente para retirar o tráfego pesado da BR-101 no trecho já saturado da Grande Florianópolis. Também serve como alternativa para quem vem do Sul de Santa Catarina ou do Rio Grande do Sul com destino ao Norte do Estado ou a São Paulo.
Logo após a inauguração, as autoridades de trânsito e a própria Arteris Litoral Sul registraram melhora na fluidez da BR-101. Esse resultado, porém, poderia ser ainda mais expressivo se os motoristas se sentissem seguros para utilizar o novo trajeto.
Posto da PRF
Como a construção de um posto da PRF não fazia parte das obrigações originais da concessão da Arteris Litoral Sul, a concessionária e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tentaram chegar a um acordo, mas as negociações não avançaram.
A Arteris chegou a propor a instalação de uma estrutura provisória. O Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Santa Catarina (SINPRF/SC), no entanto, rejeitou a alternativa, alegando que contêineres ou instalações móveis não oferecem condições adequadas de segurança, espaço e videomonitoramento.
Racha
Em abril, a PRF flagrou dois motoristas fazendo racha no Contorno Viário.
Efetivo
Segundo a superintendência da PRF, a instituição faz o patrulhamento da via, mesmo sem o posto da PRF. Entretanto, a dificuldade está no efetivo, pois aumentou a malha viária a ser fiscalizada em 50 KM, mas o número de policiais à disposição segue o mesmo. Os novos que chegaram do último concurso público acabam deixando o efetivo igualmente defasado, devido aos que se aposentaram no período.
Carga
O Contorno Viário da Grande Florianópolis ainda enfrenta desafios que reduzem sua utilização pelas transportadoras. Para o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, um dos principais entraves é a deficiência na cobertura de internet em alguns trechos. Essa deficiência compromete o monitoramento de cargas sujeitas ao Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) e leva seguradoras a recomendar rotas com melhor conectividade, mesmo que mais congestionadas.
Schneider ressalta que, do ponto de vista operacional, o Contorno oferece vantagens importantes, como maior mobilidade e melhores condições na via. No entanto, defende investimentos na ampliação da cobertura de telecomunicações, além de uma sinalização mais eficiente. Tanto com a indicação da rodovia para os que não conhecem bem o trecho, quanto com painéis informando o tempo estimado de viagem pela BR-101 e pelo Contorno, permitindo que o motorista escolha o trajeto mais vantajoso.
Outro ponto levantado pelo presidente da Fetrancesc é a necessidade de reavaliar o limite de velocidade da rodovia. Considerando o elevado padrão de engenharia, a baixa interferência de acessos e as características de uma via expressa, Schneider avalia que a velocidade máxima poderia ser ampliada. Tornando, assim, o Contorno ainda mais competitivo para o transporte de longa distância e reforçando sua vocação de retirar o tráfego pesado da BR-101 urbana.


















