Gilberto Gil, aos 84 anos, diz: “Criar os filhos sempre foi uma maneira de reproduzir o meu desejo pela liberdade”

O cantor falou sobre paternidade, perdas e espiritualidade ao lado da filha Bela Gil e da neta Flor Gil no "Saia Justa", do GNT, em edição especial de Dia dos Pais

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Gilberto Gil participou do programa acompanhado da filha Bela Gil e da neta Flor Gil. (Foto: Reprodução, GNT)

Gilberto Gil resumiu em uma frase a lógica que guiou a criação dos oito filhos. “Criar os filhos sempre foi, pra mim, uma maneira de reproduzir um desejo meu de abertura, de liberdade, do lado transgressor necessário, mas também o lado disciplinar necessário, esse jogo, esse diálogo de pegar os parafusos e a chave de fenda e afrouxar”, afirmou o cantor durante participação no programa “Saia Justa”, do GNT, em edição especial gravada às vésperas do Dia dos Pais.

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O artista participou do episódio ao lado da filha Bela Gil e da neta Flor Gil, em conversa com as apresentadoras Eliana, Erika Januza, Juliette e Tati Machado. O encontro percorreu as diferentes fases da paternidade, o legado construído ao longo de mais de seis décadas de carreira e a forma como experiências duras moldam o jeito de amar.

Ao explicar de onde vem esse método, Gil atribuiu a escolha ao contexto em que se formou. Segundo o cantor, o traço de liberdade na criação dos filhos pertence à própria geração dele, marcada pela contracultura e pelo cultivo de novas liberdades, algo que se refletiu diretamente na organização da vida doméstica. A imagem que ele usou é mecânica e didática: o pai como alguém que aperta e afrouxa parafusos conforme a necessidade, sem abrir mão de nenhum dos dois movimentos.

A conversa mudou de tom quando Bela Gil trouxe à tona a canção “Se Eu Quiser Falar com Deus”, de autoria do pai. A partir dela, o grupo discutiu fé, sacrifício e o lugar da dor na experiência humana. “O sofrimento faz parte da vida”, disse Gil, que descreveu o sofrimento como um combustível de transformação permanente e o prazer como a paisagem vista pela janela ao longo do percurso.

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A fala ganha peso pela trajetória recente da família. Pai de oito filhos, avô e bisavô, Gil já enfrentou a morte de dois deles: Pedro, ainda nos anos 1990, e Preta Gil, perda mais recente e amplamente acompanhada pelo público. Preta havia tornado pública sua condição de saúde e transformou o tratamento em pauta de conversa nacional. No programa, o cantor não tratou a dor como episódio encerrado, e sim como matéria de aprendizado contínuo.

A repercussão do episódio se explica também pelo calendário. O Dia dos Pais é celebrado neste domingo, 9 de agosto, e o tema da paternidade domina a programação da TV e as redes sociais na semana. Ao falar de liberdade e disciplina como partes do mesmo gesto, Gil ofereceu uma formulação que escapa das duas caricaturas mais comuns do debate atual sobre criação de filhos: a permissividade sem limite de um lado e a rigidez sem escuta do outro.

Aos 84 anos, o baiano segue como uma das vozes mais ouvidas do país quando o assunto atravessa música, política cultural e vida familiar. A conversa no “Saia Justa” reforça uma característica que acompanha sua obra desde os anos 1960: a recusa em separar a esfera pública da experiência doméstica. Para Gil, o mesmo desejo de abertura que orientou as escolhas artísticas orientou as escolhas dentro de casa.

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O programa “Saia Justa” tem direção de Tatiana de Lamare, roteiro de Greice Costa e produção da Multivideo.

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