Bruna Marquezine, aos 31 anos, pergunta: “O que muda quando a gente para de enxergar a idade como um prazo e começa a enxergá-la como parte da vida?”

A atriz completou 31 anos na terça-feira, 4 de agosto, e voltou a tratar publicamente de um tema que já havia levantado em 2025: a pressão que a indústria exerce sobre mulheres

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Bruna Marquezine estreou na televisão aos cinco anos e completou 31 em agosto de 2026. (Foto: Reprodução, GNT)

Bruna Marquezine propôs uma inversão na forma como a passagem do tempo costuma ser tratada. “O que muda quando a gente para de enxergar a idade como um prazo e começa a enxergá-la como parte da vida?”, disse a atriz em vídeo publicado no perfil do canal GNT.

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A fala aparece durante o programa de Angélica no GNT em 2025 e volta a ficar em alta poucos dias depois de a atriz completar 31 anos, em 4 de agosto. A formulação escapa do registro habitual do assunto entre pessoas públicas, que costuma oscilar entre a negação do envelhecimento e a celebração forçada dele. Marquezine não faz nenhuma das duas coisas. Ela desloca a discussão para a categoria usada para pensar a idade, e é aí que está o ponto.

Prazo é palavra de contabilidade. Pressupõe início, fim e perda de valor a partir de determinada data. Aplicada a uma pessoa, a metáfora produz um efeito específico: transforma cada ano em subtração e cada aniversário em aviso. A alternativa que a atriz propõe, idade como parte da vida, retira a data de vencimento da equação sem negar a passagem do tempo.

O tema não é novo na trajetória dela. Em novembro de 2025, no programa “Angélica ao Vivo”, do GNT, a atriz falou abertamente sobre crise existencial e envelhecimento. Contou que os questionamentos começaram antes dos 30, por volta dos 28 e 29 anos, e que ficava incomodada por estar se questionando. Na ocasião, apontou o comportamento da própria indústria, que segundo ela já mandava sinais de envelhecimento para uma mulher de 28 anos. “É uma realidade para mulher que é muito cruel”, afirmou. Ela também mencionou o desejo de ser mãe e o peso que a conversa médica sobre tempo impõe nesse cenário.

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A recorrência do assunto tem explicação prática na carreira dela. Marquezine estreou na televisão em 2000, aos cinco anos, como uma das crianças entrevistadoras do programa “Gente Inocente”. Ficou nacionalmente conhecida em 2003 como Salete, de “Mulheres Apaixonadas”. Passou por “América”, “Salve Jorge”, “I Love Paraisópolis” e “Deus Salve o Rei”, estreou no cinema internacional em “Besouro Azul”, de 2023, e seguiu para projetos de streaming. São mais de duas décadas de vida profissional acompanhada publicamente, o que significa que cada mudança física dela foi registrada e comentada em tempo real desde a infância.

Esse histórico ajuda a entender por que a fala repercute agora. A pressão sobre a idade de mulheres em atividade pública não se distribui de forma igual. Atores homens do mesmo intervalo etário raramente são questionados sobre prazo, e quase nunca sobre maternidade. Ao nomear a idade como parte da vida em vez de contagem regressiva, Marquezine devolve a discussão para um terreno que interessa a quem está fora do meio artístico e enfrenta a mesma cobrança em entrevistas de emprego, em consultas médicas e em conversas de família.

A pergunta que ela deixa no ar não tem resposta pronta, e talvez esteja aí a razão de ter circulado. Ela não afirma que envelhecer é bom nem que a pressão desaparece quando se muda de perspectiva. Apenas sugere que a régua usada para medir o próprio tempo é uma escolha, e não um dado.

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