A cada rodada do Campeonato Brasileiro, um nome se consolida como o grande pesadelo das defesas adversárias. No último domingo, o roteiro se repetiu: vitória do Athletico Paranaense sobre o Santos por 2 a 0, em plena Vila Belmiro, com mais uma atuação de gala de Kevin Viveros.
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O colombiano anotou os dois gols da partida e chegou à expressiva marca de 14 gols em 21 jogos, isolando-se ainda mais na artilharia da competição. Além de balançar as redes, ele ainda acumula duas assistências no torneio.
Mas o caminho do homem-gol do Furacão até o topo do futebol nacional não foi fácil, pelo contrário. A história do camisa 9 começa nos campos de areia, em meio à violência e sem dinheiro para comprar chuteiras.
As raízes em meio à violência de Buenaventura
Aos 25 anos, Viveros carrega a responsabilidade de ser a base de sua família desde muito cedo. Nascido em Buenaventura, a principal cidade portuária da Colômbia, ele cresceu em um ambiente desafiador, cercado pela realidade da violência do narcotráfico e de grupos paramilitares.
Em entrevista exclusiva concedida ao ge, em maio, o atacante relembrou as dificuldades. “A esperança estava praticamente em mim desde os cinco anos, quando comecei a jogar. Minha família me apoiou muito, porque viram que eu tinha talento”, relatou Viveros, que dividia um lar simples com os pais e três irmãos.
A falta de recursos marcou seus primeiros passos no futebol. “Eu jogava em um campo de areia em Buenaventura, era como se estivesse na praia”, relembrou. “Não tinha chuteiras, jogava com chuteiras estragadas. Minha família fazia um grande esforço para comprar novas. Essa infância me marcou muito”. A necessidade de mudar a realidade da família foi tão latente que ele precisou abandonar os estudos para focar inteiramente na carreira.
O surgimento do “Trem” e a chegada de Viveros ao Brasil
Após estrear profissionalmente em 2018 e passar por clubes de menor expressão na Colômbia, a carreira de Viveros viveu um hiato dramático em 2021, quando ficou um ano desempregado. A virada de chave aconteceu no Carabobo, da Venezuela, em 2022, onde marcou 21 gols e ganhou o apelido que o acompanha até hoje.
O apelido de Trem me colocaram na Venezuela. Cada vez que fazia um gol, cantavam ‘Kevin Viveros, El Tren’. Eu sou um trem porque não tenho medo de nada. O trem sempre vai reto, direto. E esse sou eu. Quem se mete no meu caminho, eu o pego.
Após uma rápida passagem pela Europa (Bósnia) e sucesso no Atlético Nacional, Viveros chegou ao Athletico em 2025, indicado pelo técnico Odair Hellmann. O investimento do clube paranaense foi o mais caro da história para a disputa da Série B: 5 milhões de dólares (cerca de R$ 27,5 milhões à época). Uma aposta que se pagou com acesso e, agora, com o protagonismo na Série A.
Ofertas recusadas e tentativa de renovação
Com o destaque no futebol brasileiro, Viveros já chamou a atenção de vários clubes dispostos a tirar o “Trem” de Curitiba. Dentre os interessados, está o PIF (Public Investment Fund), da Arábia Saudita, o fundo detém 75% das ações dos principais times do país, como Al-Nassr e Al-Ittihad.
A oferta foi prontamente recusada pelo Furacão, que sonha com uma venda à nível de Vitor Roque, negociado com o Barcelona em 2023 por 40 milhões de Euros.
Internamente, o Athletico já se movimenta para valorizar o colombiano. O clube estuda uma robusta renovação de contrato — o vínculo atual vai até junho de 2028. Para o alívio da torcida, o próprio jogador garante que seu destino seguirá na Baixada.
“Eu vi que houve muitas ofertas por mim, mas eu não quero ir a um lugar que vou desaparecer”, declarou Viveros, que se diz adaptado com a esposa e os dois filhos no Brasil. “Eu quero ir a um lugar que eu vou estar bem. Estou muito feliz aqui no Athletico, e vou estar aqui por muito tempo”.
*Sob supervisão de Marcos Jordão





