Filme da vida do fundador da Aurora será o primeiro do Brasil quase todo feito com IA e custará 75% menos

Aury Luiz Bodanese, que motivou a produção do filme “Antes do Nascer do Sol”, foi fundador e cofundador de cooperativas que tornaram o Oeste de Santa Catarina uma das regiões mais ricas do Brasil

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A capa do filme vai destacar essa imagem de Aury Luiz Bodanese dirigindo caminhão. Foi com uma trasnportadora de feijão que ele começou a vida em Chapecó (Foto: Produção do filme, divulgação)

Com apenas 12 anos, Aury Luiz Bodanese já trabalhava no comércio do seu pai na cidade onde nasceu, em Barão do Cotegipe, Rio Grande do Sul. Aos 22 anos, mudou para Chapecó, Oeste de Santa Catarina, onde foi fundador ou cofundador de um conglomerado de cooperativas hoje bilionárias: Aurora Coop, Alfa, Sicoob Maxicrédito e Fecoagro. Essa trajetória vai ser contada no filme “Antes do Nascer do Sol”, dirigido por Osnei de Lima e primeiro longa do Brasil feito quase todo com inteligência artificial (IA).

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Contar a história de Aury Bodanese é um projeto especial sonhado há duas décadas pelo jornalista Julmir Cecon, roteirista do longa, e pelo diretor gaúcho Osnei de Lima. Também é um projeto da família do empreendedor, a viúva Zelinda Santa Catarina Bodanese e os quatro filhos do casal. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2027.

Veja mais fotos do filme “Antes do Nascer do Sol”, que será lançado em 2027:

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A decisão de fazer um longa de época com uso intensivo de inteligência artificial tem chamado a atenção não só no Brasil, mas também no mundo. Somente 8% será com filmagens reais. De acordo com o diretor Osnei de Lima, a escolha foi para reduzir custos porque o filme foi orçado em cerca de R$ 6 milhões.

“Nós vamos gastar aproximadamente R$ 1,5 milhão o que é cerca de 25% do valor estimado. Para o elenco, nós temos dois atores nacionais que foram clonados, Nicola Siri e Isadora Ribeiro. As cenas deles estão inclusive prontas. Serão os pais de Aury Bodanese”, informa Osnei de Lima.

Ele explica que, para fazer um filme com inteligência artificial existe uma norma que é preciso ter o registro do clone do ator verdadeiro. A parte jurídica é complexa. Para esse filme, o registro foi feito com base na lei de clonagem dos Estados Unidos, que no Brasil será válida a partir de 2028 ou 2029.

“Tem que usar o clone, que significa usar o tom de pele, de cabelo, fisionomia, sorriso, voz e tudo mais clonado. O ator e a atriz são transformados em personagens. Os demais personagens do filme serão pessoas que realmente viveram. Desde o Aury Bodanese quando era criança. As imagens dele quando criança são próprias – detalha o diretor.

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De acordo com Osnei de Lima, por ser o primeiro longa brasileiro com uso intensivo de IA, o filme está causando um impacto grande junto ao mundo artístico. Atores que trabalharam com ele em outros filmes estão ligando para saber mais como é o processo e estão impressionados com a tecnologia.

Mas o diretor avalia que esse é o caminho, o futuro. Afirma que a Netflix já fez 300 filmes com IA e muitas pessoas não sabem por que nem leem os créditos finais. Com o uso dessa tecnologia, o ator fornece sua imagem e voz por um valor, que é menor do que ganharia com um cachê se fizesse todas as cenas do filme. Com IA, a produção é toda digital.  

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O filme “Antes do Nascer do Sol” está sendo produzido pela empresa IACOM, de Florianópolis, que tem filiais de trabalho na Tailândia e nos Estados Unidos. Essa empresa detém a tecnologia mais avançada, hoje, no mundo, para esse tipo de produção, afirma Osnei de Lima.

Empreendedor de grandes cooperativas

A decisão de contar a trajetória de Aury Bodanese em filme visa mostrar o grande legado dele no cooperativismo e no desenvolvimento do Oeste de Santa Catarina. Ele nasceu em 1934 no RS e faleceu em 2003, em Chapecó.

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Começou a atuar como líder cooperativista em 1967, com a fundação da Alfa e, em 1969, fundou a Coopercentral Aurora Alimentos (Aurora Coop), ambas com sede em Chapecó.

A Aurora congrega hoje 90 mil associados em SC, RS, PR e MS, faturou R$ 26,9 bilhões em 2025 e exporta carnes de frango e suíno para mais de 80 países. A Cooperativa Agroindustrial Alfa, atualmente a maior cooperativa do setor em SC, faturou R$ 10,1 bilhões em 2025.

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Além disso, o empreendedor Aury Bodanese foi um dos cofundadores da Maxicrédito, hoje uma instituição bilionária dentro do sistema cooperativo de crédito Sicoob SC e RS. Ele também foi cofundador da Federação das Cooperativas Agropecuárias de SC (Fecoagro), organização que se destaca atualmente na produção de fertilizantes para produtores associados do setor e faturou mais de R$ 1 bilhão em 2025.

Será um filme biográfico

O roteirista do longa, Julmir Cecon, diz que será um filme baseado na vida de Aury Bodanese, que começou a trabalhar aos 12 anos, aos 15 anos era motorista de caminhão e aos 22 anos mudou para Chapecó.

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“Nós estamos fazendo um filme baseado na biografia de Aury Bodanese. Será um filme biográfico. Será do jeito que ele era, um líder firme, honesto e sério, que praticamente não sorria. Era um cara família, apaixonado pela família e seletivo na escolha dos amigos – adianta Julmir Cecon, que trabalhou com o líder cooperativista.

Segundo ele, o filme, inicialmente, estava sendo programado para ser produzido com recursos via Lei Rouanet. Mas não foi possível captar toda a verba necessária. Foi liberada uma parte pela Alfa, mas, depois, eles concluíram que seria melhor fazer a produção de forma independente e devolveram esse recurso para o governo federal.

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A escolha foi fazer com doações diretas de empresas, a maioria de Santa Catarina. Conforme Julmir Cecon, houve convite para a Aurora e a Alfa participarem, mas elas optaram por não apoiar. O principal patrocinador é o Sicoob, por meio do Sicoob Maxicrédito, que resultou de cooperativa de crédito fundada por Aury Bodanese na Alfa, e o Sicoob SC/RS. O segundo maior patrocínio veio da Cooperativa Ceraçá, que tem sede em Saudades, no Oeste de Santa Catarina.