Como um experimento de 114 anos atrás para achar ruínas secretas criou uma multinacional com 109 mil funcionários

Após o choque de oferta em Ormuz, empresa centenária amplia aposta em centros de dados enquanto exploração volta ao radar

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Resultados mostram divisão de data centers em alta enquanto o mercado de petróleo ainda se recompõe das interrupções no Oriente Médio (Foto: Casa Rosada)

Resultados mostram divisão de data centers em alta enquanto o mercado de petróleo ainda se recompõe das interrupções no Oriente Médio (Foto: Casa Rosada)

Uma experiência feita em 1912 para localizar ruínas medievais acabou ajudando a criar uma das maiores empresas da indústria do petróleo. Mais de um século depois, a SLB, antiga Schlumberger, tenta repetir a lógica de sua origem: usar tecnologia desenvolvida para um problema e encontrar nela um negócio muito maior.

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Em julho de 2026, a companhia aparecia avaliada em cerca de US$ 70 bilhões, com aproximadamente 109 mil funcionários e presença em mais de 100 países. E, com o seu tamanho, ela prevê dois mercados críticos, petrolífero e de data centers.

Ormuz muda o cenário

O choque de 2026 foi excepcional. O Estreito de Ormuz ficou efetivamente fechado desde 28 de fevereiro até o acordo de 18 de junho, alterando fluxos internacionais de petróleo e elevando a volatilidade dos preços.

A perda temporária de produção chegou a 11,2 milhões de barris por dia em maio e ainda ficou em média em 8,3 milhões de barris diários em junho. Os estoques globais, segundo a EIA, diminuíram em média 5,1 milhões de barris por dia no segundo trimestre.

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IA abre outra frente

A oportunidade mais diferente está nos data centers. No segundo trimestre de 2026, a receita da divisão Data Center Solutions da SLB cresceu 80% na comparação anual e 33% ante o trimestre anterior, impulsionada por novos clientes de grande escala e ampliação de serviços.

A empresa já havia enviado mais de 1,3 gigawatt de infraestrutura modular para projetos de data centers desde abril de 2024 e espera ultrapassar 2 GW até o fim de 2026. 

Em julho, anunciou ainda uma aliança com a Liberty Energy para unir módulos pré-fabricados, geração de energia e controles de potência instalados junto aos próprios centros de dados.

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A EIA projeta que o consumo elétrico mundial de data centers chegue a aproximadamente 945 TWh em 2030, quase o dobro do nível atual. Entre 2024 e 2030, a alta média prevista é de cerca de 15% ao ano; servidores acelerados, ligados principalmente à adoção de IA, devem consumir 30% mais eletricidade por ano no cenário-base.

Ainda assim, a transformação não apaga a dependência do petróleo. A SLB faturou US$ 8,97 bilhões no segundo trimestre, 5% acima de um ano antes, mas o avanço incorporou a aquisição da ChampionX. 

Autor: Luiz Dias