Justiça volta a decretar falência da Ricardo Eletro, ex-potência do varejo que chegou a comprar rede de SC

Novo despacho com a decisão foi assinado no último dia 31 de julho

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Grupo chegou a ser uma das maiores varejistas do Brasil (Foto: Arquivo NSC Total)

Ex-potência do varejo brasileiro de eletrodomésticos, a Ricardo Eletro voltou a ter a falência decretada pela Justiça. A decisão consta em sentença do juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, assinada no último dia 31 de julho. Ela engloba também a Máquina de Vendas, controladora da antiga rede, e a Lojas Salfer, varejista catarinense comprada pelo grupo em 2012. Ainda cabe recurso.

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No despacho, o juiz concluiu pela inviabilidade do grupo a partir de relatórios mensais deste ano produzidos pela Laspro Consultores, a administradora judicial. O documento cita um endividamento total de R$ 5,3 bilhões – com R$ 1,5 bilhão de passivo tributário – e receita líquida insuficiente até mesmo para cobrir gastos básicos, o que revelaria “atividade meramente simbólica”.

“Não cabe ao Estado, por meio do Poder Judiciário, manter artificialmente empresas evidentemente inviáveis, sob pena de comprometer a segurança e a confiabilidade do próprio sistema econômico e de prejudicar a coletividade de credores”, anotou o magistrado.

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O juiz também observou que a manutenção da recuperação judicial “serviria apenas para postergar insolvência consumada”.

A nova decisão representa mais um capítulo no tumultuado fim da Ricardo Eletro. A empresa chegou a ter a falência decretada pela Justiça em pelo menos três oportunidades em 2022, mas conseguiu reverter todas elas e retornar ao status de recuperação judicial. Neste meio tempo, a Máquina de Vendas chegou a ensaiar um retorno, sem sucesso, com uma nova bandeira sucessora, a Nossa Eletro.

Histórico

A Máquina de Vendas foi formada em 2010 a partir da união entre as redes Insinuante e Ricardo Eletro. Em 2012, o grupo anunciou a compra da Salfer, fundada em 1958 em Joinville. Na época, a varejista catarinense tinha quase 180 lojas – espalhadas pelo Estado e também no Paraná –, 2,6 mil funcionários e faturamento em torno de R$ 700 milhões. Apesar da promessa de manutenção, a bandeira Salfer deixou de existir a partir de 2016, quando as unidades foram convertidas para Ricardo Eletro.

Com a aquisição, a Máquina de Vendas se posicionava como uma das maiores redes varejistas do país, rivalizando com a Via Varejo, controladora das Casas Bahia e do Ponto Frio, e Magazine Luiza. Uma década atrás, o grupo ostentava números expressivos: somava 1,1 mil lojas e faturamento de R$ 7,2 bilhões. A operação, no entanto, começou a apresentar problemas pouco tempo depois.

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Em 2018, já com dívidas superiores a R$ 2 bilhões, a Máquina de Vendas pediu recuperação extrajudicial – um acordo com credores para negociação dos débitos sem intervenção da Justiça. A crise financeira do país entre 2014 e 2016 provocou dificuldades na operação. A situação havia afastado importantes fornecedores, com redução nos estoques das lojas.

Em 2020 veio a recuperação judicial. O despachou que concedeu o benefício, em agosto daquele ano, citou, entre outros motivos, o fechamento de lojas físicas decorrente de ações de despejo, o que resultou em rescisões de contratos de trabalho e aumento de custos operacionais. O cenário, acrescentou o documento, tinha sido agravado pela pandemia de Covid-19, que levou à interrupção das atividades do grupo e de fornecedores, agravando a crise de liquidez.